O que você pensaria se visse um homem retirando cartazes de anúncios dos pontos de ônibus? Pelas ruas de Manhattan, certamente veríamos o artista Michael De Feo, ou, como foi apelidado, “the flower guy” recolhendo cartazes pelas ruas, colocando-os em tubos protetores e montando em sua bike tranquilamente. Mas De Feo não é um ladrão comum, ele é um artista de grafite e há 25 anos pinta paredes e edifícios por todo o mundo. A sua assinatura floral se espalhou por mais de 60 cidades, dentre elas Nova York, Buenos Aires, Paris, Veneza e Hong Kong.

Michael, em 2015, ganhou uma chave universal, de um coletivo de arte de guerrilha, que lhe dá acesso a anúncios de pontos de ônibus. O objetivo desse coletivo é encorajar um diálogo público em cima das mensagens corporativas. Pôsteres de marcas como Christian Dior e Chanel desapareceram. No estúdio, o artista cobriu os cartazes com buquês alegremente pintados. É claro que as empresas de moda não gostam que mexam em seus anúncios, mas parece que os designers estão aderindo ao colorido de Michael De Feo.

Ponto de ônibus em Nova York – Anúncio da J. Crew pintado por Michael De Feo

Tendo mais visibilidade no Instagram, seu trabalho ganhou elogios da indústria e aprovação nas mídias sociais. O artista até achou que poderia chamar atenção e que também poderia deixar algumas pessoas chateadas, mas não imaginou que a aprovação chegaria a esse ponto. Tudo começou quando ele alterou um anúncio da J. Crew, depois fotografou o anúncio modificado, instalado em um ponto de ônibus em Nova York, e colocou em seu feed no Instagram. Em seguida, a loja de roupa publicou a imagem dele para seus milhões de seguidores e, depois disso, De Feo passou a ser convidado para criar para outras marcas e outras campanhas – inclusive para a  própria J. Crew.

Depois que fez as suas intervenções em anúncios, passou a se interessar mais por moda e comprou revistas para se aprofundar nesse mundo. Achou as imagens “fabulosas” e sentiu vontade de ter contato com elas. Então, o seu repertório floral foi transferido para as revistas e suas obras mais aplaudidas são as Vogue Covers – que já ganharam espaço de exposição. O artista encontrou nas revistas uma coerência em relação à arte de rua. Quando a sua obra está exposta em anúncios, existe um vidro onde o espectador apenas olha a obra e não a toca. Diferente da revista e da arte de rua, que as pessoas são capazes de não só apreciar, mas interagir, encostar.

Michael jamais pediu ou recebeu licença de propriedade intelectual e artística. Por isso, tenta não ferir a personalidade da fotografia e cria como se tudo tivesse sido projetado para ser dessa forma – pintura + fotografia. Para ele, o ideal é trazer uma contradição, trabalhar em conjunto com a foto e subvertê-la. Mas, normalmente, De Feo não usa um plano para pintar, sempre improvisa. Em uma entrevista para a Vogue o artista disse que se pudesse voltar no tempo faria uma intervenção em pinturas rupestres, porque as entende como sendo também arte de rua.

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Por Graziella Ferreira