• Data: 3 de agosto a 5 de outubro
  • Horário: 7h às 20 (Segunda a Sexta) | 10h ás 20h (sábados e feriados)
  • Local: Passagem Literária da Consolação
  • Endereço: Rua da Consolação, esquina com a Av. Paulista (metrô Consolação), s/ nº. São Paulo/SP
  • Ingressos: Entrada Franca
  • Classificação: Livre
  • Produção: Angela Fernandes & Fabio Benetti
  • Curadoria: Iago Calegari
  • Informações: Site

O dentro, o fora. Opostos? Processo. Diferentes níveis de gradação. Uma mesma coisa. Do que vem de fora, faz-se o dentro. Do que está dentro, cria-se o fora. Do sofrimento interior para a manifestação exterior; causa de dor. Nós, seres. Nós, entrelaçados. Seria um inferno? E estaríamos nele? Ou nós é que o criamos e o nutrimos? Os nossos e os outros.

O diálogo entre as obras de Angela Fernandes e Fabio Benetti firma-se num processo contínuo de alternância entre superfície e substância, evocando à volatilidade existencial e às manifestações dos sentimentos e sofrimentos que tomam o outro como oposição, inimigo, e acabam por voltarem a si, aos infernos com que lidamos todos os dias, infernos internos, infernos externos, infernos outros e os mesmos.

Experienciamos as almas interiores de Angela, seus emaranhados incorpóreos que começam a tomar formas imbricadas que remetem a raízes, mangues, vasos sanguíneos, células neuronais, a superfície da substância. É algo de dentro, logo sentimos. E para o interior de nós mesmos somos levados, a nós mesmos e aos outros, um insconsciente coletivo. Num processo que inicia-se no externo, na massa, no corpo, passamos à substância da superfície no trabalho de Benetti, que nos leva à mais evidente realidade, com as mais coléricas e duras materializações do que está dentro e de como tomam forma em nossa sociedade contemporânea com ações extremas e verdades construídas sem fundamento; o ser humano e suas relações são representadas com o que já foi descartado, com o que tratamos como lixo coletivo da intenção de subjugar qualquer forma de ser e existir que afaste-se daquelas tomadas como ideais.

O relativo pode ser tornado absoluto, num perigoso processo de unificação de discursos. Nós cada vez mais imbricados. De nossos medos, inseguranças, desejos, insatisfações, sonhos, anseios, somos constituídos. De nossas ações, somos julgados. No enfrentamento diário do tribunal interno em que nos colocamos diante de nós mesmos, de nosso Inferno, julgamo-nos. Nós no Inferno. Um Inferno de Nós.