14 de dezembro de 2019

Abre ao público hoje, no Oi Futuro de Ipanema, a individual da artista Maria Lynch, Máquina Devir. Sob a curadoria de Bernardo Mosqueira, a mostra fica instalada no centro cultural até 19 de março deste 2017. A classificação é 18 anos.

Chegamos na calçada da instituição por volta das 20h e encontramos uma fila que vazava os limites do portão do Oi Futuro. No convite a abertura marcada estava para 19:30 de sábado (ontem). A exposição ocupa os três andares do espaço mas haviam monitores direcionando os visitantes perdidos, não era permitido subir sem passar pela sala do térreo. Aliás, dividida em cinco outros espaços. Os presentes enfileirados do lado de fora comentavam a entrada de apenas duas pessoas por vez.

Um responsável da casa passou pela fila explicando grupo a grupo, que o projeto foi pensado para apenas uma pessoa por vez mas pela ocasião de abertura estavam liberando duplas. Ele continuava avisando que tratava-se de uma experiência sensorial, seríamos travestidos logo na primeira sala, com roupas e maquiagens, a cada sirene devíamos atravessar a porta passando para outra sala e não era possível desistir no meio do percurso. Curiosamente, logo ali na fila, muitos foram embora.

 

Conhecendo o repertório de trabalho da artista, suas pinturas, desenhos, os projetos instalativos com bichos de pelúcia, tecidos, o figurino da comissão de frente executada para uma escola de samba, não fez algum sentido aquela desistência. A humanidade é mesmo um mistério. Estávamos diante da vitrine do Oi, também ocupada para a exposição, repleta de bolas coloridas de plástico. Na parede paralela, um pequeno texto de Maria desejava que o público se soltasse, se permitisse e deixasse que o olhar alheio não o mirasse com julgamentos. Além de uma lista com instruções que me lembrou uma das proposições da Lygia Clark.

Chegada a vez da minha dupla, mais uma vez fomos informados de que não poderíamos desistir. Uma pequena tensão me fez entender que as pinturas e ursinhos da Maria não estariam ali, algo novo estava nos aguardando. A sirene tocou e entramos numa espécie de camarim, onde um casal com fantasias loucas nos aguardava para brincar e colocar todo tipo de adorno possível. Novamente a sirene tomou o espaço e passamos para o que entendi ser uma nova fase|estágio, desta vez um casal nos oferecia um drink e dançava conosco sem pronunciar uma palavra. A sirene alarmou e nos encaminhou pra próxima saleta onde encontramos duas perguntas na parede e papéis de cores correspondentes serviriam para escrevermos respostas e pendurá-las na parede com um alfinete. Ler o pensamento alheio é realmente instigante.

Na quarta sala, encontramos companhia novamente, agora um gorila e um palhaço citam os filósofos Deleuze e Spinoza e suas falas são basais para se perceber no “Devir” da Maria Lynch. Falam sobre desejo, constrangimento, coragem, ser o que se quer ser, experimentar a si e ao outro. Na quinta e última sala deste andar, um banquete nos aguardava. A possibilidade de estar sozinho com todos aqueles doces remetia a um sonho de criança, algo fantástico que só poderia aparecer em sonho.

Foto: Antônio Caetano

Subimos e a gincana continuou, sob o sinal da sirene uma sala com brinquedos, infantis e adultos, nos aguardava numa outra saleta. Aquela hora, já havíamos desligado completamente do mundo e nos restou brincar. O jogo e o gozo são palavras que vieram a minha cabeça durante todo o percurso. A sirene e avante pra próxima, ali ao lado, nas quatro paredes tocavam e passavam videoclipes de variados movimentos musicais misturados a vídeos de manifestações religiosas, uma miscelânia hipnótica que durou o tempo da sirene tocar uma vez mais e subirmos mais um andar.

No último andar do prédio da Oi, um vídeo escondido atrás de uma pilastra, mostrava um trabalho da artista. Ali também estava a penúltima saleta e desta vez, entramos sozinhos. Lá dentro, uma mulher, uma maca e muitos aromas, entrei e imediatamente ela pediu que fechasse meus olhos, me ajudou a chegar na maca e deitei. Daqui em diante, mantenho o segredo das próximas duas sirenes. Sem dúvida uma experiência sensorial, uma exposição que se constrói no percurso.

Serviço
Exposição Maria Lynch | Máquina Devir
Abertura: 14 de janeiro, às 19h30
Local: Oi Futuro Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 54, Ipanema).
Visitação: de 3ª a dom. e feriados, das 13h às 21h.
Período: 15 de janeiro a 19 de março de 2017
Entrada franca.
Classificação: 18 anos

Por Michaela Blanc

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