A segurança alimentar e nutricional diz respeito à garantia de uma alimentação adequada quantitativa e qualitativamente a todos, sem comprometer o acesso a outros bens e direitos essenciais, baseada numa aquisição ambiental e economicamente sustentável, de modo a garantir o pleno desenvolvimento e sobrevivência do indivíduo.

Como o próprio título sugere, a segurança alimentar dialoga com as questões ambientais? Com certeza! O comprometimento dos componentes do meio ambiente prejudica a produção dos alimentos de um modo geral. Uma produção agrícola depende, para o seu sustento, de fonte de água potável e em abundância, fora que o clima afeta diretamente as lavouras em todo o mundo. Estamos vivenciando um esgotamento das fontes de água doce no planeta e o processo do aquecimento global é apresentado em franca expansão e potencialização por um grupo de cientistas.

O desflorestamento é um outro tipo de atividade antropogênica que vem a causar danos de forma indireta à segurança alimentar. Ele afeta a disponibilidade e a produção agrícola uma vez que promove o desbalanço das bacias hidrográficas e intensifica o efeito das secas, além de causar degradação do solo e desertificação, rebaixando a possibilidade das terras serem utilizadas. Afeta também a mudança do clima e propicia o surgimento de pragas que podem vir a atacar as lavouras.

A fome no mundo já teve uma melhora vultuosa. Em 2015, menos 216 milhões de pessoas deixaram de passar fome se comparado ao início dos anos 90. A África, junto com outros países asiáticos e da América Latina, enfrenta o pior panorama relativo à insegurança alimentar. Os conflitos civis associados com as mudanças climáticas, a crise política e a instabilidade de preços são as causas que mais afetam a busca e o acesso a uma alimentação que mantenha o corpo e a mente em pleno funcionamento. A África Subsaariana é a região que mais sofre com a falta de alimentos no planeta: uma a cada quatro pessoas estão subalimentadas, segundo dados de 2015 da FAO.

O Brasil se encontra entre os dez países que mais conseguiram reduzir o número total de pessoas que passam fome, graças também a iniciativas como o Fome Zero e o Bolsa Família.  Existem alguns incentivos ao desenvolvimento sustentável da agricultura, como a concessão de créditos para produtores que se filiem ao Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono). Fora que já existem diversos programas de crédito destinados a agricultura familiar: plantio em solos degradados e inutilizados, produção de combustível utilizando como matéria-prima o óleo de palma, fora a modernização dos sistemas produtivos visando a preservação ambiental. Embora o Brasil tenha mostrado avanços animadores em relação ao seu status de segurança alimentar, aproximadamente 52 milhões de pessoas ainda padecem pela fome no país e quase metade dos domicílios nordestinos ainda se encontram inseguros nutricionalmente.

É crucial se ter em mente que o alcance da segurança alimentar é um papel que cabe sim ao Estado, mas a sociedade civil também deve estar atenta ao alcance desse bem. Todos os setores sociais deverão estar envolvidos, desde a pesca até a proteção social, passando pelas políticas públicas e programas, atingindo também os marcos legais.

Por Vitória Freitas

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