6 de dezembro de 2019
Razões para consumir em brachós e afins 

Já se passou o tempo de imaginar brechós ou bazares como sinônimos de velharia ou qualquer derivado negativo. Se você ainda tem esse pensamento, é porque não encontrou os lugares certos. Sim, os lugares, são muitos. Há milhares de pessoas, principalmente jovens, investindo nessa área. Pessoas comuns comprando e vendendo uma das outras, fazendo um consumo mais consciente. Caso a indústria fique sem produzir roupa por 200 anos, não será necessário procurar meios para produzir mais. Parece radical, mas você já imaginou quantas roupas etiquetadas e arquivadas eternamente em guarda-roupas, nunca foram usadas? A quantidade de roupas que as pessoas compram, mas depois não se sentem bem e acaba por esquecê-las?

É preciso apresentar novas motivações para que sempre possamos lembrar, no ato da compra, sobre a forma como consumimos. Deixar claro que esse desafio é uma via de mão dupla, já que todo mundo sai ganhando. Isso inclui o seu bolso, o bolso de outras pessoas e a preservação do meio ambiente. Com o crescimento do e-commerce na internet, as redes de brechós ganharam fortalecimento. O comércio virtual pulverizou o desapego. O medo de entregar mais barato a outro comprador um produto que não faz diferença para si, passou. E nesses aplicativos há uma grande quantidade de produtos atuais e de boa qualidade com um valor mais acessível.

A higiene é um ponto que interfere nessa questão. Alguns dirão que não, mas o brasileiro tem uma cultura de limpeza muito forte. É só comparar com a cultura europeia, como sempre fazem. Alguns hábitos cotidianos demonstram isso, e é maravilhoso que as pessoas sejam limpas. Mas esses costumes se propagam nessa causa. Todos deixam de comprar por desconfiarem do histórico da roupa e por outros incômodos relacionados à higienização. Organizações que levam a sério, contêm serviços de lavagem e outras manobras para conservar a peça e sua tintura. O valor histórico da roupa, às vezes, também é conservado. Roupas usadas têm história para contar e são peças únicas, mesmo que a memória não faça diferença.

No que essas ações desencadeiam…

Em média, 20 mil litros de água são utilizados para produzir 1 kg de algodão. O que não é nada para uma indústria da fast fashion, que fabrica para todo o sempre, e “não-amém!”. A economia de reutilização é uma grande ajuda para a redução de consumo de energia e água. Ela não necessita da utilização de recursos naturais para fabricação de novos itens. Comprar em brechó também significa que algo não irá parar no lixo. E se não há lixo, haverá mais economia de espaços em aterros sanitários, diminuindo a poluição do meio ambiente. Poupa a natureza de toda a decomposição de um objeto que poderá ser repassado.

De forma beneficiadora, essa troca pode ajudar muitos que precisam. Em eventos organizados para arrecadar um valor destinado a fins de caridade, os bazares acontecem. Antigos donos e instituições doam coisas que não usam. É um modo de partilhar com os outros o que não tem serventia para você. Tecidos sempre terão novos fins. A reutilização das sobras de tecido para a confecção de produtos e roupas é o processo mais artesanal de reciclagem. Acaba sendo uma alternativa inteligente que amplia a vida útil dos tecidos produzidos. Isso modifica e incentiva os diferentes processos criativos de reutilização. Ainda reduz o impacto ambiental por evitar novas produções de panos desnecessárias. Auxiliando na manutenção de uma rede de pessoas que pensam e vivem buscando alternativas sustentáveis para o seu negócio.

É observado muito preconceito em cima dos brechós brasileiros. Está taxado como antiquado, com visões superficiais à vastidão de boas lojas que estão espalhadas. Mas em outros países, muitas pessoas compram em brechó sem maiores problemas. Quem não tem um amigo que gastou todo o dinheiro nos brechós de Nova York? E acha chique! Mas comprar aqui no Brasil, nem pensar.

Apele para a mudança de hábito. Ao abrir o guarda-roupa, separe as peças que têm um real valor significativo das que não têm. Dê novos rumos às suas peças, elas poderão ser úteis em outras mãos. Faça uma lista de brechós que fazem o seu estilo e tente visitá-los. Se for o caso de uma ocasião especial, não faz mal comprar uma peça nova. É sempre bom ter novidades no armário. Porém, obter novas peças apenas em lojas convencionais, é não colaborar com algo que pode servir como auto-benefício e que contribui para a proteção dos recursos naturais e para outras causas. 


Por Graziella Ferreira

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