Há duas semanas, durante o intervalo da entrega dos Grammy nos EUA, a marca  de materiais esportivos Nike veiculou pela primeira vez a campanha “Equality”, com a participação de nomes como o jogador de basquete Lebron James, a tenista número 1 no ranking mundial, Serena Williams e a cantora Alicia Keys. Pelo nome da campanha, e pelos nomes escalados o leitor já deve ter noção do teor do comercial. Sim, era um comercial que muito mais do que tênis e roupas, buscou vender um conceito, o do fim da discriminação racial e sexual dentro e fora do esporte.

Ao fundo há a canção “The Change is gonna come”, de Sam Cooke – um hino da luta pelos direitos civis – na versão de Alicia Keys. Na voz de Lebron há uma reflexão sobre como o esporte pode ser inclusivo, mas não apenas ele deve ser assim – a vida deve imitar o esporte e não olhar cor, gênero ou opção sexual.

A campanha é belíssima e os participantes foram escolhidos a dedo. Lebron é um dos principais nomes contra o racismo no esporte dos Estados Unidos, já se recusou a concentrar-se em um dos hotéis da rede de Donald Trump e durante a premiação ESPY de 2016 cobrou mudanças contra o racismo em seu país.

Serena Williams boicotou o Premier de “Indian Wells” durante 14 anos, após ter sofrido ataques racistas da torcida durante uma partida. Além disso, a irmã de Venus é uma voz ativíssima contra o machismo no esporte – vale aqui lembrar a resposta da tenista a Novak Djokovic quando o sérvio disse que tenistas homens deveriam ganhar mais que as mulheres -, sendo permanentemente atacada por comentários sexistas pela mídia esportiva mundial.

Alicia Keys, por sua vez, já lançou um documentário sobre racismo, feminismo e violência policial (The Gospel). A cantora também se tornou um símbolo de resistência feminina ao recusar-se a usar maquiagem.

Isso tudo, sem nem falar nos outros personagens do vídeo. A jogadora de futebol e militante LGBT Megan Rapinoe, a corredora muçulmana Dalilah Muhammad, a ginasta Gabby Douglas, o ator Michael B. Jordan, o jogador de futebol americano Victor Cruz e o jogador de basquete Kevin Durant. Todos que se destacaram não somente pelo seu talento, mas também por se manifestarem contra a cultura excludente em que vivemos.

Fora as outras três campanhas que foram lançadas pela “Nike Women”, nas últimas semanas: uma no Oriente Médio, uma na Turquia e outra na Rússia. Todas com foco no empoderamento feminino no esporte. Considerando os públicos, comerciais pra lá de ousados.

Por fim, “Equality”, fez da Nike, pioneira por lembrar que o esporte pode ser um espaço de contestação, bem como as marcas que rodeiam este universo. Ninguém é mais obrigado a ficar calado.


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Cecília Quevedo

Cecília é brasileira sofredora de 7x1, eterna admiradora da seleção de 82 e de um futebol bem jogado. Gosta de samba, moda, literatura, artes plásticas e coisas que envolvam a América Latina de uma forma geral. No mais, acha extremamente difícil falar de si na terceira pessoa.

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