Inspirada no mito do Édipo e na vida de São Martinho de Tours, santo europeu do século IV, a dramaturgia do uruguaio Sergio Blanco acompanha os encontros entre um jovem parricida e um dramaturgo interessado em escrever a história desse crime.

Depois de duas temporadas de sucesso, “Tebas Land”, do autor uruguaio Sergio Blanco, voltou ao cartaz dia 22 de março, no Teatro PetroRio das Artes, para temporada até 28 de abril. Inspirado no mito do Édipo e na vida de São Martinho de Tours, santo europeu do século IV, o espetáculo tem como tema central um parricídio. A história, no entanto, não foca na reconstrução do crime e sim nos encontros entre um jovem parricida e um dramaturgo interessado em escrever a história desse crime.

A peça venceu os prêmios Shell de Melhor Ator (Otto Jr.) e o Botequim Cultural Melhor Espetáculo, Melhor Direção e Melhor Ator (Robson Torinni). Ela também foi indicada ao Botequim Cultural de Melhor Ator (Otto Jr.) e Cesgranrio de Melhor Direção e Melhor Ator (Robson Torinni).

Dirigido por Victor Garcia Peralta, o espaço cênico de “Tebas Land” é simples e depurado: a quadra de basquete da prisão, onde acontece o encontro quase documental entre esses dois personagens, duas pessoas de mundos completamente distintos. Começa então uma peça dentro da peça, em que o jovem assassino e o ator que o interpreta são representados por Robson Torinni. O elenco também traz Otto Jr., no papel do dramaturgo. Com esse jogo de metalinguagem, a peça pode ser considerada uma tese sobre o fazer do teatro, em que o espetáculo surge de uma sedutora combinação entre razão e emoção dos personagens.

“O texto nos cativou pelos dois diferentes planos, razão e emoção, e pelo processo criativo imbuído neles, em que a dramaturgia é construída durante a ação da peça, oscilando, quase que paralelamente, entre a discussão do fato ocorrido e a construção do texto da peça que será baseada no crime”, conta Victor Garcia Peralta, diretor e Torinni, ambos idealizadores do projeto.

Com sensibilidade e inteligência, o autor uruguaio Sergio Blanco expõe temas de grande relevância: paternidade, falta de afeto, solidão, famílias disfuncionais e falência dos sistemas prisionais.  “Tebas Land” conta a história de um encontro entre três mundos muito diferentes. No argumento, a única sobrevivência da espécie humana está na consciência do outro: eu existo na medida em que há outro antes de mim e, portanto, devo isso a ele. Além disso, a peça, ao abordar o parricídio, refere-se a uma questão que muito nos toca: as ligações com os pais. Nem todos podemos ser pais, mas todos somos filhos e, portanto, todos temos a experiência da descendência. E finalmente, é um trabalho que conta a dinâmica do que é a engenharia da construção de uma peça, como o texto está sendo escrito”, conta Sergio Blanco autor da obra, que recebeu cinco indicações ao Prêmio Max, na Espanha.

O espetáculo revisita ainda textos que abordam o tema, como “Os Irmãos Karamazov”, de Dostoievski, “Um Parricida”, de Maupassant, e Dostoievski e o “Parricídio“, de Freud.

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