Compre um vaso com a mudinha de uma planta qualquer.

Essa foi a dica que ouvi sair da boca do meu psicólogo quando o fundo do poço era o único lugar que me envolvia naquele que foi um momento de profunda confusão e desespero.

Enquanto a cabeça teimava em pirar, me aprisionando em ideias e sentimentos tóxicos que definitivamente foram os maiores inimigos que já tive até hoje, o corpo também pedia socorro dando sinais de stress, queda capilar e olheiras profundas. Era o meu ser como um todo perdendo a batalha para os pensamentos mais traiçoeiros de toda uma vida.

E aí que, escutar um profissional da área da psicologia me aconselhar a plantar algo me causou certa estranheza. Primeiro que, ao visitar um psicólogo, nunca imaginei que ouviria uma sugestão dessa – era a minha primeira vez frequentando a terapia.

Depois, tentando entender o porquê daquela sugestão e achando até um pouco engraçada, escutei do meu cofidente-mor que a tarefa de cuidar de uma planta e vê-la crescer me traria um sentimento de realização muito grande, um cuidado, um zelo. Preencheria vários “vazios” que até então eu não sabia como lidar.

Pois bem, é não é que ele tinha razão?

Comprei um dos vasos mais bonitos que encontrei à venda, terra, adubo, e a mudinha: um cacto. Não entendia nada de planta e muito menos sabia como seria, mas a escolha se deu pelo tamanho: optei por algo pequeno, que fosse mais prático – apesar de ter alguns cuidados específicos.

E se querem saber, um dos principais motivos que me fizeram sentir pronta para deixar a terapia e não sofrer mais com as pressões do dia a dia, foi meu amigo cacto. Ter uma planta me tornou rapidamente uma pessoa mais comprometida, pois o crescimento saudável dela dependia do meu zelo contante.

Afinal, era de minha responsabilidade observar se a terra estava seca e, caso a resposta fosse sim, colocar mais água (mas no caso do cacto não pode muito, viu?). Assim, ao mesmo tempo que seguia à regra todo o cuidado com a planta, também me sentia feliz ao passo que via aquela planta viva, bonita, crescida e que (por que não?) era minha companheira tão amada.

Não à toa passei a ler mais sobre os benefícios que ter plantas em casa traz para a nossa vida. E há vários estudos que comprovam isso.

 

Na Noruega, por exemplo, uma pesquisa feita com pacientes que enfrentavam a depressão, mau humor ou transtorno bipolar passaram a cultivar plantas e legumes durante seis horas na semana. Após três meses de pesquisa, constatou-se que todos os quadros haviam melhorado e o bom humor de todos permaneceu evidente mesmo com o término do experimento.

Outro exemplo é a melhora significativa em pacientes com Alzheimer. Um estudo da Universidade de Medicina de Exeter mostrou que quase metade dos pacientes idosos das casas de repouso têm ou terão demência e que a jardinagem pode ajudar a cuidar disso ou até mesmo prevenir pois promove o relaxamento, estimula a criatividade e reduz a agitação das pessoas.

Ter plantas em algum cômodo da casa também tem a capacidade de purificar o ar, pois absorve o ar poluído e libera oxigênio. Além disso, elas umidificam o ar no processo natural de transpiração.

A jardinagem possui capacidade suficiente para trazer luz à escuridão que cada um carrega. É a válvula de escape, a saída para as turbulências. O momento que você entra em contato com um outro ser vivo e tem a oportunidade de ajudá-lo a manter-se em vida, bonito e saudável.

Hoje agradeço a dica dada pelo meu antigo psicólogo e coleciono uma legião de vasinhos das mais variadas plantas em cada canto da minha casa.

Se você nunca teve o hábito de plantar nada na sua casa, experimente. Pesquise as melhores espécies, a história por trás de cada uma, o jeito melhor que se adaptam. Com certeza você terá uma experiência incrível, que renderá em uma nova grande paixão. Pode apostar!


Por Michele Matos