8 de dezembro de 2019

Em Alice Através do Espelho, a Rainha Vermelha alerta Alice: “Se você correr o mais rápido que puder, ficará no mesmo lugar! Se você quiser sair do lugar, tem que correr duas vezes mais rápido”.

Assim como a Rainha da Alice, temos a sensação de que andamos duas vezes mais rápido hoje em dia! E não deixa de ser verdade. Desde que a humanidade descobriu outros meios de locomoção mais rápidos que o cavalo e inventou as máquinas a vapor, na revolução industrial, os trajetos estão cada vez mais curtos e o trabalho é feito de forma cada vez mais acelerada.

A tecnologia é a grande mão que acelera os ponteiros do relógio dos tempos modernos. Os computadores trouxeram modificações em progressão geométrica e a internet acelerou ainda mais a equação do tempo. Uma carta antes levava semanas para chegar ao seu destino, hoje em dia, a comunicação, feita através de e-mails, é imediata. Se para Einstein o tempo era relativo, para nós o tempo é cada vez mais curto.

Mas é exatamente essa a teoria da relatividade: nosso dia tem as mesmas 24 horas do dia de uma pessoa da idade média. Porém, a impressão da velocidade do tempo é muito diferente. Em 1997 James Tien e James Burnes, do Instituto Politécnico Rensselaer, em Troy, no estado de Nova York, demonstraram que a passagem do tempo varia mesmo de acordo com a idade dos observadores, mas também (e muito) de uma época para outra. Segundo o resultado de seus estudos (publicados na conceituada revista Transactions on Systems, Man and Cybernetics)  eles concluíram que para uma pessoa de 22 anos, em 1997, o ano pareceu  passar 8% mais depressa do que para uma pessoa com a mesma idade em 1897.  Para uma pessoa com 35 anos, no mesmo intervalo de anos a diferença chegou a 22%.  E a variação obtida para pessoas idosas foi ainda maior: um indivíduo com 62 anos em 1997 percebeu o tempo passar 7,69 vezes mais rápido que outra da mesma idade 100 anos antes.  Em outros números: 669% mais depressa, comparando com as outras duas idades.

Outra causa é o excesso de informação com a qual uma pessoa é bombardeada diariamente.  Indivíduos que têm maior e melhor capacidade de selecionar, com objetividade, o que querem ou não querem saber dos eventos à sua volta, concentrando-se apenas nos que têm relevância, têm um melhor aproveitamento do tempo e também uma melhor percepção desse tempo. Ou seja, ser levado pela maré dos ladrões de tempo como Facebook, Whatsapp é, literalmente, perder tempo.

Para se proteger da velocidade do tempo, surgiram alguns movimentos de desaceleração como a “slow food” e a “slow revolution”. A primeira prega refeições demoradas, um contraponto às lanchonetes de fast food. A segunda, proposta por Carl Honoré, prega que larguemos a internet, os celulares e passemos a ter mais contato “olho no olho” com as pessoas à nossa volta. Na slow revolution devemos ler mais livros e jogar menos games eletrônicos, retornando para os analógicos de tabuleiro. Será que Carl consegue vencer a corrida da desaceleração do tempo?

Por Silvia Ferrari

Show Full Content
Previous O Cinema em 2016: Os Escolhidos do Público
Next YouTubers e os seus diários da reforma

Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close

NEXT STORY

Close

Review: Dynasty (S01 Ep15: “Our Turn Now”)

26 de março de 2018
Close