Quem lia ou ainda lê fanzines, com certeza já recortou algumas páginas para fazer alguma coisa, mas aposto que nunca se imaginou sendo um artista de zines. Mais conhecida como “Sloppy” (que, traduzindo, significa pessoa bagunceira ou desleixada), Mariana Benevides, que mora em Curitiba, começou a recortar em 2012. Antes – como toda jovem gosta de fazer – ela interpretava trechos de músicas e construía frases com palavras aleatórias de revistas. Como não tinha o dom de desenhar, e nem de tocar um instrumento, Mariana continuou sentindo a necessidade de criar com as próprias mãos, como uma forma de expressão pessoal. Então, usando uma tesoura de ponta e uma cola bastão, “fez do limão uma limonada”: criou as suas próprias colagens.

“The Birth of a Loner”, 2014 – Mariana Benevides

Porém, não foi tão simples como parece. Apenas intitulou-se como Sloppy Collage”, quando percebeu que a resposta do público foi positiva. Em dois anos e meio, atingiu mais de 3.900 admiradores em sua página no Facebook – onde divulga o seu trabalho. O que os visitantes mais prezam é o fato das colagens não serem digitalizadas, e sim feitas à mão. A artista prova, com fotos, que há todo um processo de criação: coleta de material em sebos, recortes durante horas e criação de imagens que são de livre interpretação, mas que traduzem, segundo ela, a sua própria personalidade e suas convicções.

No mesmo ano que começou a ampliar seu público, Mari criou a sua primeira zine chamada “Amargo”, misturando recortes de revistas com fotografias analógicas. A revista foi lançada em uma feira de zines em Curitiba. Quem está acostumado a garimpar fotos pela internet, seja no Pinterest ou no Tumblr, por exemplo, com certeza adora uma “collage”. Essas fotos são muito identificáveis, todas demonstram um mesmo aspecto. Até em clipes como “Love”, da Lana del Rey, e, mais evidente, em “Up&Up”, do Coldplay, as referências à colagem aparecem nítidas e trazem uma perspectiva imaginativa – quase uma viagem.

Mariana Benevides ao meio, junto de suas invenções

Hoje, infelizmente, Sloppy se encontra em um bloqueio criativo, mas isso é comum entre pessoas que gostam de criar. Em pouco tempo a inspiração volta e outros projetos surgem. Para quem insistiu em produzir de maneira única e não deixou a insegurança dominar, será questão de tempo reencontrar a criatividade. Enquanto isso, ficaremos a  admirar as obras já existentes e ansiosos para mais “collages”.


Por Graziella Ferreira