Obra do premiado autor canadense Michel Marc Bouchard aborda a inabilidade do indivíduo para lidar com o preconceito, violência e fracasso. Idealizador do projeto, Armando Babaioff assina a tradução do texto e divide a cena com Kelzy Ecard, Gustavo Vaz e Camila Nhary. Direção de Rodrigo Portella. Espetáculo vencedor dos prêmios Censgrario, Shell, APTR, Botequim Cultural, Questão de Crítica e Cenym.

Uma das peças mais aplaudidas e premiadas de 2017 e 2018, “Tom na Fazenda” estreia sua sétima temporada no Imperator – Centro Cultural João Nogueira em 10 de novembro. Idealizado pelo ator e produtor Armando Babaioff, que também assina a tradução, a montagem tem apresentações as sextas e sábados, às 21h30, e domingos, às 19h, até 25 de novembro. Dirigida por Rodrigo Portella, a peça traz no elenco Kelzy Ecard/Analu Prestes (revezando-se no papel de Agatha), Gustavo Vaz/Gustavo Rodrigues (revezando-se no papel de Francis) Camila Nhary, além do próprio Babaioff. Desde sua estreia em março do ano passado, “Tom na Fazenda” fez 147 apresentações e já foi vista por mais de 13 mil pessoas.

A peça é baseada na obra Tom à la Farme, do autor canadense Michel Marc Bouchard. Foi numa conversa com um amigo que Babaioff tomou conhecimento do filme Tom na Fazenda (2013), adaptação da peça homônima, com direção do franco-canadense Xavier Dolan. Arrebatado pela obra, o ator começou a traduzir a peça, que aborda a inabilidade do indivíduo para lidar com o preconceito, a impotência, a violência e o fracasso.

Em cena, o publicitário Tom (Armando Babaioff) vai à fazenda da família para o funeral de seu companheiro.  Ao chegar, descobre que a sogra (Kelzy Ecard) nunca tinha ouvido falar dele e tampouco sabia que o filho era gay. Nesse ambiente rural e austero, Tom é envolvido numa trama de mentiras criada pelo truculento irmão (Gustavo Vaz) do falecido, estabelecendo com aquela família relações de complicada dependência. A fazenda, aos poucos, vira cenário de um jogo perigoso, onde quanto mais os personagens se aproximam, maior a sombra de suas contradições.

“O momento atual influencia o teatro e Tom na Fazenda ganha novas camadas de leitura. É nosso dever apresentar essa peça em tempos conturbados. É nosso dever apresentar essa peça agora. É nosso dever apresentar essa peça enquanto podemos. É nosso dever apresentar essa peça em dias onde ela se faz tão urgente”, enfatiza Armando Baiaoff. “Temos que ir onde o público está e apresentar Tom na Fazenda no Imperator é descentralizar as artes. Somos felizardos em poder contar essa história mais uma vez e gratos à trajetória que o espetáculo está realizando sem qualquer recurso vindo de leis de incentivo”, completa Babaioff. “Tom na Fazenda” estreou em março de 2017 no Oi Futuro, com patrocínio da Oi. As temporadas seguintes — nos teatros SESI Centro, Dulcina, Poeirinha, Censgranrio e Leblon —, sempre com ingressos esgotados, no entanto, não tiveram qualquer apoio.

Em junho deste ano, “Tom na Fazenda” foi apresentado no Festival TransAmériques (FTA), em Montreal, no Canadá –  um dos mais importantes eventos de artes cênicas do mundo — com legendas em inglês e francês. A indicação foi do próprio autor da obra, o dramaturgo canadense Michel Marc Bouchard, que mora em Montreal e assistiu à peça em sua estreia, no Rio. A última temporada da peça foi Teatro Leblon, entre abril e maio deste ano, além das apresentações nos festivais de Curitiba (abril), Palco Giratório do SESC, em Porto Alegre (maio), Festival de Inverno de Garanhuns, em Pernambuco (julho), e Cena Contemporânea, em Brasília (agosto).

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