Obra do premiado autor canadense Michel Marc Bouchard ganha sua primeira montagem no Brasil, com direção de Rodrigo Portella.  

Inédito no Brasil, o premiado autor canadense Michel Marc Bouchard ganha uma nova montagem de uma de suas peças mais conhecidas: “Tom na Fazenda” (Tom à la Farme, no original). Idealizado pelo ator e produtor Armando Babaioff, que também assina a tradução, o espetáculo segue até 14 de maio no Oi Futuro Flamengo. Com direção de Rodrigo Portella, a peça traz no elenco Kelzy Ecard, Camila Nhary, Gustavo Vaz, além do próprio Babaioff.

Longe dos palcos desde 2013, foi numa conversa com um amigo que Babaioff tomou conhecimento do filme “Tom na Fazenda” (2013), uma adaptação da peça homônima, com direção do franco-canadense Xavier Dolan (premiado no Festival de Cannes por Mommy, em 2014). Arrebatado pela obra, o ator começou a traduzir a peça, que aborda a inabilidade do indivíduo para lidar com o preconceito, a impotência, a violência e o fracasso.

A peça foi encenada pela primeira vez em 2011, em Montreal, no Canadá. O texto já foi traduzido e montado em diversos países, mas é a primeira vez que um texto de Bouchard é encenado no Brasil. “Estou feliz que o público terá a oportunidade de conhecer um pouco da sua obra”, conta Babaioff, que assina a sua primeira tradução.“Ele parte da sexualidade para falar de maneira ampla sobre as relações humanas”, conta o idealizador.

“No ano em que traduzi a peça, 347 pessoas foram assassinadas pelo simples fato de serem quem eram. O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo, mais do que nos 13 países do Oriente e da África onde há pena de morte aos LGBT. Tom na Fazenda caiu nos meus braços como uma folha seca quando se desprende de uma árvore e você não sabe muito bem o porquê, mas estende o braço para pegá-la antes de tocar no chão”, diz Babaioff.

Na história, após a morte do seu companheiro, o publicitário Tom (Armando Babaioff) vai à fazenda da família para o funeral.  Ao chegar, ele descobre que a sogra nunca tinha ouvido falar dele e tampouco sabia que o filho era gay. Nesse ambiente rural austero, Tom é envolvido numa trama de mentiras criada pelo truculento irmão do falecido, estabelecendo com aquela família relações de complicada dependência. A fazenda, aos poucos, vira cenário de um jogo perigoso, onde quanto mais os personagens se aproximam, maior a sombra de suas contradições.

A peça conta uma história bastante comum entre jovens de várias gerações, mesmo de culturas diferentes. No Canadá, no Brasil, no Oriente Médio, no Japão ou na África do Sul, homens e mulheres jovens aprendem a mentir antes mesmo de aprenderem a amar. As famílias, guardiãs das normas sobre a sexualidade, garantindo sempre a heteronormatividade, inserem nos próprios membros a semente da homofobia.

“Todo redemoinho que devastará a vida dos que fogem das normas surge no núcleo de suas próprias famílias”, comenta Rodrigo Portella, que opta mais uma vez por uma encenação com poucos elementos para que as sutilezas das relações propostas pelo texto se sobressaiam.

“Bouchard compôs uma obra de estrutura impecável. Ele vai fundo nas contradições dos seus personagens, o que os torna muito próximos de nós”, acredita o diretor.

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