Há algumas semanas, quando me dei conta que dezembro estava chegando e que junto com ele viriam as férias da minha filha, fiquei bastaaaante preocupada. O que fazer com uma criança dentro de casa o dia todo numa cidade absurdamente quente e pequena, como Muriaé (em Minas Gerais), que não tem muita opção de lazer ou mesmo praças e locais ao ar livre seguros para eu ir com ela. Muito bem – pensei eu – vamos fazer alguns trabalhinhos em casa. Ela que adora uma bagunça, iria amar!

Não deu outra! A minha primeira ideia era fazer uma cozinha toda de caixas de papelão. A Nina adora me acompanhar na cozinha, gosta de colocar a mão na massa e vem brincando muito de fazer comidinha e servir como num restaurante. Quando soube o que faríamos, falou toda contente “Ahhh mãe, adoro férias!”. Fomos ao mercado, pegamos as caixas, compramos as tintas nas cores escolhidas por ela, pincel e fomos ao trabalho. Recorta daqui, cola de lá e montamos assim:E depois de muita bagunça com tinta o trabalho final assim:

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Ela amou e começou a brincar antes mesmo de terminarmos o trabalho, sempre se referindo como “meu restaurante”. Resolvi então postar uma foto da cozinha num grupo fechado do Facebook com quase 190 mil pessoas, na grande maioria mulheres, que trocam ideias de organização, artesanato e DIY.

Menos de 24h depois da postagem a foto tinha alcançado 2400 curtidas e mais de cem comentários e entre um deles, esse que me chamou atenção:

Há algum tempo venho pensando: a luta das mulheres pela sua independência financeira, na minha opinião, acabou gerando um outro tipo de preconceito, que é à mulher que opta por não trabalhar fora para cuidar da casa e da família, sendo muitas vezes taxada de folgada, madame ou antiquada. E veio a minha resposta:

“É engraçado como nossa geração de mulheres vive tanto a ideia de ser independente financeiramente que acaba achando que cuidar da casa é errado e que nós não podemos fazer isso, que temos que dar novas perspectivas. Mas se vc não cuida da casa, alguém tem que fazer isso ou então vai viver num chiqueiro! Fazer comida em casa traz saúde, além de tudo! Qual referência e educação vc quer dar para seu filho?”

Acho ótimo que existam homens (principalmente) que pensam como esse rapaz, porém, será que o preconceito desapareceu mesmo ou apenas mudou de cara?

Beijo grande,

Lara Thys

Por Lara Thys


Sympla

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14 thoughts on “Uma cozinha de papelão que deu o que falar

  1. Acho que ele acertou no comentário, mas errou no alvo. Cozinha é bem legal se estiver incluida numa série de outras “atividades” que mostrem que cozinhar é uma parte da vida, mas não destino obrigatório de toda mulher. Sobre a casa ficar um chiqueiro se nâo for VC a limpar, ué, cadê o marido?
    Se o conselho tivesse sido dado a mim, eu ia correndo providenciar um escritrio, um laboratório, um centro espacial pra enriquecer a cabeça já dessa filha…

    1. Gel, primeiramente, obrigada pelo comentário. Também acho que ele errou o alvo e comentou sem saber nada sobre essa criança e a educação que ela tem. O fato de ter uma cozinha não significa que só brinque com ela ou com outros brinquedos chamados de “de menina”. Agora, respondendo à sua pergunta sobre o marido, com todo respeito, qual marido? A minha obrigação como mãe é ensinar minha filha que ela deve cuidar da casa dela, mantendo-a limpa e arrumada. Se ela vai ter um marido ou uma outra mulher, que a mãe destes a eduquem da mesma forma e todos serão felizes! Isso se ela tiver alguém… Aqui em casa temos uma oficina de carrinhos (automodelo) do pai em que ela adora observar e participar. No quarto tela tem uma tabela de basquete. Lego é uma das brincadeiras preferidas dela, assim como cuidar de um neném, colocar para dormir e dar de mamá. Aqui se faz de tudo!

  2. Como esses discursos por parte dos feministas extremos são tão contraditórios… estão embarcando numa onda e sequer sabem oq eles próprios pensam.Na cabeça deles cozinha é coisa de mulher (bem devem ativar o cérebro pra lembrar q a maior parte dos Chefs são homens… e pior, já associam q toda mulher devem ter marido, ja q cobram a atuação destes, sem sequer existir…

  3. Aleluia alguem que pensa como eu e se manifesta! Essa onda massiva de ideologias patologicas vem destruindo muitos valores do que é familia, inclusive tirando direitos das mulheres… de poder estar presente de fato na vida de seus filhos e poder viver a maternidade… Eu gracas a deus nao vivo c esse peso de achar que sou uma oprimida no mundo… acho que a vida dessas mulheres eh um fardo… eu em casa, mesmo tendo um pai criado a moda antiga pois eh bem mais velho do que eu, sempre fui educada para ser independente, em todos os sentidos…. profissionais e pessoais…. me formei em área onde a maioria eh de gênero masculino e nunca senti nenhum tipo de preconceito, assedio ou algo assim… muito pelo contrário… sempre fui muito respeitada e meus colegas sempre me ajudaram, protegeram!

  4. Quero uma cozinha dessas para o meu filho… nada mais bonito que a fantasia e inocência de uma criança! Quando eu era pequeno brincava na fazenda dos meus avós com minha irmã, primas e primos, entre muita atividades, tínhamos também uma casinha de papelão, com fogão, mesinha, quartos e camas… transformou-se também em um carro espacial sobre as rodas de dois skates, onde meninos e meninas sempre brincavam juntos. Me lembro que a melhor parte dessa estória era o desafio de criar, independente do convencional ao gênero… não tínhamos pretensão alguma, apenas BRINCAR com aquilo que criamos. Não havia percepção feminista ou machista, pois tudo não passava de pura fantasia.

  5. Pra quê problematizar o comentário? Não vi nada demais no que o rapaz falou.
    Entendo o que ele disse, ainda mais quando a questão de gênero está nas cores e nas fotos que ilustram os brinquedos. Já reparou que todos os brinquedos relacionados a casa são roxo e rosa e têm meninas na capa? É um desserviço estimular o pensamento de que são SÓ da mulher as funções domésticas.
    As crianças são reflaxo do que vêem, por isso adoram essas brincadeiras. Acho massa estimular (assim como as demais sugeridas pelo moço), mas será que você usaria essaa cores se fosse um menino?

    Outro dia minha irmã deu as canecas com leite para o casal de filhos. Minha sobrinha já foi logo pedir pro irmão mais novo trocar de caneca e quando minha irmã questionou a pequena respndeu
    “Você não vê que essa caneca é rosa? Ele precisa se acostumar a usar rosa, saber que ele pode, porque rosa não é de menina, é cor de GENTE”.

    Outra coisa, na minha humilde opinião, deixar a casa virar um chiqueiro é função de TODOS que nela reside. É disso que o feminismo fala.

    1. Oi Karina, primeiramente obrigada pelo comentário.
      Realmente os brinquedos relacionados a casa são geralmente rosa e roxo e confesso que é a combinação que eu menos gosto. Porém, me parece que não ficou muito claro que foi a minha filha que escolheu as cores baseada em seu próprio gosto. Diante de uma prateleira com muitas cores disponíveis, ela escolheu essas duas. Se fosse um menino eu pediria para ele escolher as cores da mesma maneira e sabe lá qual seriam indicadas.
      Também para esclarecer, o objetivo da construção da cozinha foi a atividade como um todo, tendo como finalidade principal ensiná-la que ela pode fazer suas próprias coisas, seja brinquedo, roupa ou comida e isso a torna independente por completo. Sendo assim, ela foi envolvida em todas as fases do trabalho, desde a escolha do tema, a procura pelas melhores caixas no supermercado, a compra da tinta, do pincel (qual melhor tipo e tamanho), o desmonte de outros brinquedos para montar esse novo, a pintura e o entendimento que é necessário esperar a tinta secar, o pós trabalho, observando se pingou tinta no chão para limpá-lo e deixá-lo como antes e muitos outros inúmeros aprendizados que nem eu mesma percebi que houve, mas houve.
      Essa geração de crianças não dá mais tanto valor aos brinquedos, preferem telefones ou tablets. Não sabem de onde vem a comida e o trabalho que dá fazer um almoço ou jantar, por puro desconhecimento e por isso não se alimentam de maneira adequada na maioria da vezes. Uma cozinha de brinquedo pode então ser o primeiro contato da criança com esse tipo de realidade que é a ideal (na minha opinião, para a educação da minha filha), que é a de você mesmo preparar sua própria comida. E pra isso não existe gênero. Se fosse um menino faria a mesma coisa. Quero sim incentivá-la a ir para a cozinha e assim ela vai cuidar da própria saúde de maneira adequada.
      Da mesma forma, ensiná-la a limpar a casa, arrumar o quarto e, porque não acrescentar nessa listinha de afazeres, escovar os dentes, afinal não estamos falando de organização e higiene? Se ela vai fazer isso só pra ela, caso more sozinha um dia ou se vai fazer pelos filhos, pelo marido, pela esposa, pelos pais, tanto faz. A escolha será dela lá na frente. O importante aqui é eu, como mãe mega ultra responsável (e coloca responsabilidade nisso!) pela adulta que estou criando dentro da minha casa e sobre as minhas orientações, mostrar pra ela o que tem que ser feito para que consiga viver num local agradável.

  6. Explore a pasta cozinha infantil de papelao do Fabiola Teixeira Correia no Pinterest, o catalogo de ideias do mundo todo. Encontre e guarde receitas, dicas para a criacao de filhos, estilo e outras ideias para experimentar.

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