Série da Prime Video baseada em livro de mistério e é um manifesto sobre apoio entre mulheres
Em “All Her Fault” série da Prime Video/Peacock baseada no livro de mistério da escritora Andrea Mara, logo nos primeiros minutos já apresenta o grande enigma que sustenta seus oito episódios, ao mesmo tempo em que se revela um manifesto sobre a necessidade de apoio e empatia entre mulheres.
O sequestro de uma criança em plena luz do dia, provocado por um recurso simples como uma mensagem enganosa no celular, escancara a responsabilidade que a sociedade impõe às mães, independentemente de classe social ou localização. O próprio título da série, que não foi traduzido já entrega sua tese central: “É Tudo Culpa Dela”.
A narrativa evidencia diferentes modelos de maternidade e relações familiares, sempre reforçando a sobrecarga feminina. Há a mãe responsável por todas as rotinas da casa enquanto o marido ocupa o papel do pai brincalhão, distante das obrigações práticas como buscar o filho na escola.
Em outro núcleo, a mulher é a profissional bem-sucedida que ganha mais do que o marido, mas ainda assim é julgada quando pede que ele cuide do filho, recebendo desculpas ou reclamações sobre seu horário de trabalho. Esses exemplos se multiplicam ao longo da série e convergem para uma possível saída apresentada pela própria trama: a sororidade.
Sororidade como tema central em “All Her Fault”
O conceito de sororidade, derivado do latim sóror, irmã, aparece como apoio e empatia entre mulheres, independentemente de classe social, país ou contexto cultural. É nesse ponto que entra a personagem interpretada por Dakota Fanning, que apesar de uma atuação apenas correta, cumpre um papel essencial como o único apoio incondicional da protagonista. Sua personagem se mostra uma ouvinte compassiva e sensível à dor da mãe desesperada, movida tanto pela empatia quanto por um sentimento de culpa.
A série é direta ao retratar a luta diária de mulheres presas em um redemoinho de cobranças e expectativas muitas vezes inalcançáveis. O suspense se sustenta especialmente graças à atuação de Sara Snook, conhecida por “Succession”, que entrega uma performance sólida como Marissa, mãe do fofinho e carismático Milo, vítima do sequestro.

A personagem carrega o peso da culpa e do desespero em cada cena, enquanto a narrativa recorre a flashbacks para construir o retrato daquela comunidade rica que vê sua rotina ser abruptamente interrompida pelo crime.
O mistério segue um caminho pouco convencional para histórias de sequestro, já que por dias não há pedido de resgate imediato nem ameaças diretas à família, o que mantém a tensão e desperta a curiosidade do espectador. Esse é um dos principais trunfos de “All Her Fault”, que apresenta núcleos interessantes e um elenco competente, ainda que poucos realmente se destaquem.
Menção ao ator Michael Peña, que merece menção como o detetive responsável pelo caso, talvez um dos únicos personagens masculinos que não se coloca automaticamente como antagonista. Mesmo assim, suas falhas morais emergem conforme o desespero aumenta e ele passa a comparar sua própria realidade, especialmente a relação com seu filho com necessidades especiais, com a vida confortável das famílias ricas envolvidas na investigação.

A série funciona bem no formato de maratona, seguindo uma lógica comum às produções de streaming, com reviravoltas ao final de cada episódio que elevam o perigo e a angústia. O suspense se desenvolve de maneira competente e com um tom novelesco, feito sob medida para fisgar a audiência, embora traga alertas importantes e possíveis gatilhos emocionais, sobretudo nas situações envolvendo o marido controlador da protagonista, que acredita poder resolver tudo a qualquer custo.
Mesmo com reviravoltas previsíveis e um desfecho que remete ao melodrama clássico das novelas brasileiras do horário nobre, o saldo é positivo. A série é bem filmada, bem fotografada e majoritariamente bem atuada, capturando com eficiência o estilo de vida da elite que vive nos subúrbios ao redor de Chicago. No fim, a série reforça uma mensagem clara: independentemente da condição social, muitas mulheres seguem enfrentando a falta de apoio, empatia e respeito.
Para quem busca uma série de suspense com crítica social e forte apelo emocional, “All Her Fault” se apresenta como mais uma tentativa bem-sucedida da Prime Video de conquistar espaço em meio ao vasto catálogo de produções disponíveis nos serviços de streaming.
Imagem Destacada: Divulgação/Peacock Originals

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