Com Sasha b2b Marsh, Eli & Fur, Durante b2b Ezequiel Arias e os brasileiros Maty Owl e Rigooni, label Anjunadeep retorna e expôs os desafios reais de trazer experiências de nicho para um mercado ainda em formação no Brasil.
O Anjunadeep Open Air São Paulo, realizado em 11 de abril no Varanda Estaiada, reforçou algo que já não é novidade para o público da label: o nível artístico continua altíssimo. O lineup foi coeso, bem construído e fiel à identidade sonora do selo, com apresentações consistentes ao longo de toda a programação. Nesse aspecto, a entrega foi exatamente a esperada.
O contraste apareceu fora do palco. Ao longo do dia, o sistema de som apresentou instabilidade, com oscilações perceptíveis entre volumes baixos e picos mais altos, o que comprometeu a consistência da experiência. Em alguns momentos, o som operou abaixo do ideal por conta de falha nas caixas que emitem o som mais grave, prejudicando a imersão, especialmente em um estilo que depende de nuances, vocais e construção melódica. A ambientação visual pouco dialogava com a estética já consolidada da marca onde os eventos são totalmente Open Air (no nosso caso foi quase um Open Air) e a infraestrutura deixou lacunas em pontos básicos de conforto.
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No momento final do evento, problemas com o gerador interromperam completamente a experiência. A música e os visuais se apagaram duas vezes, sendo que na segunda interrupção o retorno levou cerca de 40 minutos. A sequência acabou quebrando o fluxo do encerramento e reforçou a percepção de instabilidade na execução. A não lotação do evento também contribuiu para esse cenário mais irregular.
Para além de falhas pontuais, o evento evidencia um desafio estrutural. A força da Anjunadeep está no conteúdo artístico, mas a experiência completa depende do alinhamento entre três elementos: música, espaço e produção. Quando esse encaixe não acontece, o impacto naturalmente se dilui.
No contexto brasileiro, esse equilíbrio exige uma leitura mais precisa do mercado. Não basta trazer um formato internacional pronto. É necessário adaptar, escolher parceiros que entendam o nicho e trabalhar com espaços que consigam sustentar a proposta estética e técnica do evento.
O caminho parece claro. Construção mais orgânica de público, presença mais frequente em ambientes alinhados com o som da label e colaborações com iniciativas locais já estabelecidas tendem a gerar resultados mais consistentes do que apostas isoladas em grandes eventos.
O potencial está longe de ser o problema. Existe público, existe conexão e existe expectativa. O que falta é transformar essa base em uma experiência à altura do que a Anjunadeep já representa globalmente. Quando isso acontecer, o Brasil deixa de ser um desafio e passa a ser um dos mercados mais fortes da label.
Imagem Destacada: Divulgação/Woo! Magazine (Fotografia: Gabriel Bizarro)
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