Filme da Sony Pictures com atores famosos da Marvel, “Caminhos do Crime” impressiona por solidez inspirada em thrillers dos anos 90
Os suspenses policiais dos anos 90 marcaram o cinema com obras como “O Silêncio dos Inocentes”, “Seven – Os 7 Pecados Capitais”, “Fogo Contra Fogo” e “Los Angeles: Cidade Proibida”.
Filmes que equilibravam tensão, profundidade psicológica e personagens moralmente ambíguos, esse tipo de produção andava em falta, mas ganha um novo representante com “Caminhos do Crime”, lançamento da Sony Pictures que, embora não alcance o mesmo nível de excelência dos clássicos, faz uma tentativa digna de resgatar essa tradição.
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O elenco chama atenção por reunir nomes associados à franquia bilionária da Marvel Studios: Chris Hemsworth, Halle Berry, Mark Ruffalo, Barry Keoghan e o veterano Nick Nolte conduzem a narrativa centrada no clássico embate entre policial e ladrão.
A trama parte de uma premissa conhecida, o inevitável “último golpe antes da aposentadoria”, e desenvolve o confronto entre os personagens de Mark Ruffalo e Chris Hemsworth, destinados a se cruzar quando o plano final entra em rota de colisão com a lei.
Os clichês estão todos lá: o criminoso novato, impulsivo e violento, contrasta com o ladrão experiente e calculista, o policial íntegro enfrenta a burocracia do próprio departamento enquanto sua vida pessoal se deteriora, há o bilionário arrogante que parece “merecer” o golpe, o aliado veterano que pode trair, o novo amor que transforma perspectivas e o(a) profissional que, pressionado pelo tempo, considera decisões desesperadas.
Nada disso é novidade, mas o filme trata esses elementos com respeito e seriedade.
O roteiro e a direção de Bart Layton, baseados na obra literária de Don Winslow, evocam em alguns momentos o estilo de Michael Mann, cineasta que também explorou o conflito entre homens obcecados pela lei e pelo crime na selva urbana americana.
A atmosfera é sóbria, a tensão é construída com paciência e a narrativa aposta mais na jornada do que na surpresa.
E por falar em surpresas Chris Hemsworth interpreta o ladrão Mike Davis com dureza contida e vulnerabilidade emocional, distante do herói expansivo que o consagrou.
Em certos momentos, sua composição remete ao protagonista do ótimo filme “Drive”, dirigido por Nicolas Winding Refn, pois o fora da lei Mike Davis também é um exímio motorista de fuga e adora carros clássicos e velozes!
A estrela Halle Berry (linda!) também se destaca como a corretora de imóveis dividida entre a razão e a atração pela ajuda ao fora da lei. Já Mark Ruffalo entrega um policial experiente e cansado, ainda eficiente, embora o registro soe familiar por papéis como na série “Task” da HBO Max.
O jovem Barry Keoghan cumpre bem a função de agente do caos, trazendo instabilidade, ameaça na medida certa e faz o que pode com um personagem que já nasceu para o conflito.
“Caminhos do Crime” é um exemplo competente de filme que utiliza fórmulas consagradas sem cair na caricatura. As atuações sólidas e a condução segura impedem que a previsibilidade comprometa o envolvimento. Pode não reinventar o gênero, mas oferece tensão, boas cenas de ação e o prazer de acompanhar personagens complexos em rota de colisão.
Em um cenário dominado por grandes franquias e produções padronizadas, esse filme é um suspense policial que valoriza a atmosfera e os conflitos humanos, lembrando que, às vezes, mais importante que o destino é a experiência da viagem.
Imagem Destacada: Divulgação/Sony Pictures

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