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CríticaFilmes

Crítica: Ana, meu amor

Rodrigo Chinchio
28 de outubro de 2017 3 Mins Read

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O cineasta romeno Calin Peter Netzer, ganhou em 2013 o Urso de Ouro no Festival de Berlim com o pesado “Instinto Materno” e, consequentemente, arrebatou o público da 37ª Mostra de Cinema de São Paulo. Agora ele apresenta com altas expectativas “Ana, Meu amor”, seu mais recente trabalho. O cinema cru e realista vindo da Romênia já é conhecido e apreciado por cinéfilos do mundo todo, principalmente em festivais especializados, o que faz com que sempre esperemos mais uma obra prima vinda do país.

Infelizmente “Ana, Meu amor” não é uma obra prima e nem possui o poder do filme anterior do cineasta. Netzer filma o relacionamento de Toma e Ana desde o momento em que eles se conhecem na faculdade, mostrando as dificuldades do casal por causa dos problemas psicológicos dela. O recorte de vida que tem por objetivo o estudo de personagens é até competente em sua forma narrativa, pois mostra a vida como ela é: cheia de tempos mortos e situações longas e entediantes. Mas tudo isso na tela, em mais de duas horas, requer um excesso de paciência por parte do espectador.

O problema do longa não é sua lentidão, que é justificável pelo tipo de história que se quer contar, mas sim a repetição de situações e a falta de interesse que a trama causa. O filme, em seu primeiro ato, se resume às cenas de sexo entre o casal (muito bem filmadas e corajosamente explicitas) e nos surtos de pânico de Ana. A partir do segundo ato, o diretor passa a fragmentar o filme em uma montagem que mostra passado, presente e futuro entrelaçados, dando uma sensação de desesperança, já que há o amor sincero do início do namoro e o desgaste entre marido e mulher no futuro.

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Talvez a falta de interesse (gerada em mim pelo menos) seja em parte pela forma de atuação destoante dos atores, que mesmo competentes em suas performances, não possuem química como um casal. Não é possível acreditar no amor entre os dois em nenhum momento. Diana Cavallioti é a mais carismática, suas crises de pânico são convincentes, mas suas interações com Mircea Postelnicu não possuem peso. Mas pode ser pela qualidade superior de sua atuação em comparação com seu colega de cena. Algo a se destacar é a primorosa direção de câmera. Os planos sempre fechados em uma fotografia fria de inverno, aliados com câmeras tremulas dão forma de desespero e isolamento ao filme. O isolamento dela, que mesmo estando sempre junto a ele, se vê em um turbilhão de emoções que não podem ser descritas em palavras. O relacionamento se torna quase como a de um pai com uma filha. O sentimento de que ela nunca conseguirá viver normalmente sem ele é sempre presente, o que gera os conflitos que fazem a história avançar.

Nem de longe “Ana, Meu Amor” é um filme ruim, só é sabotado pela sua própria forma. Tende a agradar aos novos fãs do cinema romeno e ao público da Mostra – contudo, pode também causar certa indiferença, infelizmente.

* Filme assistido na 41ª Mostra de Cinema de São Paulo. Ainda sem data de estreia oficial no Brasil, a produção não possui trailer e cartaz em português.

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Rodrigo Chinchio

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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