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CríticaFilmes

Crítica: Elis

Avatar de Júlia Cruz
Júlia Cruz
6 de novembro de 2016 3 Mins Read

Elis - cartazO que vem na sua cabeça quando alguém fala sobre Elis Regina? Somos capazes de pensar em diferentes maneiras para definir essa cantora, que foi uma mulher à frente do seu tempo. Elis era singular em sua maneira de cantar e interpretar. Seu temperamento forte e impulsivo era uma de suas maiores características.

A cantora veio a falecer em 1982, aos seus 36 anos, de uma overdose de cocaína. Apesar disso, deixou para a música popular brasileira um acervo enorme, já que era uma artista de muitas personalidades e qualquer gênero musical encaixava perfeitamente em sua voz.

É por ser essa artista inigualável que, mesmo depois de sua morte, seu nome não foi esquecido. Agora, em 2016, chega ao cinema o filme “Elis”, que conta a trajetória da vida pessoal e da carreira da artista. Com direção de Hugo Prata, que o faz de maneira impecável e atento aos mínimos detalhes, o filme mostra toda a vida de Elis, desde sua chegada ao Rio de Janeiro, em 1964, até sua morte, em 1982, mostrando problemas pessoais em seus casamentos, sua família, e o período da ditadura militar.

Quem dá a vida a Elis é a atriz Andréia Horta, que ganhou o prêmio Kikito de Melhor Atriz no 44º Festival de Gramado por sua atuação no filme. Andréia não canta, ela dubla as músicas, e se você for um bom conhecedor da obra de Elis, as partes em que se faz necessário cantar, soam falsas. Apesar disso, nas outras cenas, ela consegue interpretar a cantora de forma belíssima, acentuando seus traços, sotaque, seu “jeito explosivo” nas cenas de briga em que contracena com o ator Gustavo Machado, intérprete do primeiro marido de Elis, Ronaldo Bôscoli; o prêmio é merecido: Andréa “reencarna” Elis nas telas.

elis8

O filme tem um elenco de peso e escala grandes nomes para interpretar pessoas importantes da vida de Elis, como Caco Ciocler para o papel de César Camargo Mariano, o segundo marido, Lúcio Mauro Filho como Miéle, Júlio Andrade como Lenny Dale, Rodrigo Pandolfo como Nelson Motta e Ícaro Silva (que deu vida à Wilson Simonal nos teatros), como Jair Rodrigues. O elenco, junto com a atriz, compõe a obra perfeitamente e se encaixam com muita sintonia.

O mais interessante da trilha sonora de Elis é que suas músicas são a trilha sonora de seu filme, por muitas vezes tocadas em versão instrumental, quando não cantadas e interpretadas. O filme inicia-se com seu maior sucesso, “Como Nossos Pais”, e termina com “Velha Roupa Colorida”, ambas canções conhecidas pelo público.

O filme possui um roteiro claro, com diálogos rápidos, porém intensos, que remetem aos anos 60, com gírias e hábitos característicos da época. O figurino também passa extrema veracidade e saudosismo, afinal, a moda mudou muito nesses 56 anos. Cada plano do filme é extremamente real, até mesmo os lugares por onde Elis passou e que ainda existem, como o Beco das Garrafas, em Copacabana.

“Elis” é um filme que independe de idade para ser assistido, pois sua obra não foi e não será esquecida tão cedo. É um filme para fãs saudosos ou novos, pessoas que reconhecem a maestria da artista e que sabem que é como diz sua música: “A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar.”!

O filme estreia dia 24/11 nos cinemas e você pode conferir o trailer abaixo.

Reader Rating5 Votes
8.8
9

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Júlia Cruz

Acredita ser uma criação do Projeto Leda enquanto espera o Doutor com a sua Tardis. É apaixonada por cachorros, gosta de acender incensos, observar estátuas e tomar café. Descobriu que tudo é passível de crítica e desconstrói os enredos das mais de cem séries que já viu, para os leitores da Woo Magazine.

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4 Comments

  1. Avatar de Lucia Gomes Lucia Gomes disse:
    7 de novembro de 2016 às 00:44

    Sera um filme imperdivel

    Responder
    1. Avatar de Júlia Cruz Júlia Cruz disse:
      9 de novembro de 2016 às 14:30

      Com certeza, quero logo que chegue aos cinemas pra assistir de novo! 🙂

      Responder

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