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CríticaFilmes

Crítica: Um Casamento

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Convidado Especial
6 de maio de 2017 3 Mins Read

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Bahia, meados dos anos 1950, é o cenário de grandes lembranças para Maria Moniz. Uma então senhora, de 81 anos, que a partir do projeto de sua filha, Cláudia Simões, irá reviver momentos marcantes de sua vida matrimonial.

O documentário busca compreender uma época, através  dos laços afetivos especificamente de Maria. Em um tempo em que mulheres eram reprimidas por maridos extremamente machistas, divórcio era motivo de falatório, ser mãe solteira era mal visto por toda a família e frequentar certos lugares era quase que proibido.

Mas a protagonista de “Um Casamento” nasceu a frente de seu tempo e não se prestou ao papel destinado às mulheres daquela época. O que ela queria mesmo era nunca ter se casado, criar seus filhos de forma independente, estudar teatro e ser livre para fazer o que quisesse, tomando suas próprias decisões.

À frente da produção, Cláudia Simões (diretora, videomaker, fotógrafa, documentarista, artista plástica e filha da personagem central), assina seu primeiro longa metragem. Cláudia idealizou o roteiro há 15 anos, durante uma pesquisa para  outro projeto, onde acabou descobrindo um enorme acervo com filmagens do casamento dos pais, bem danificado, mas que a surpreendeu e instigou para contar aquela história.

A diretora optou por uma narrativa simples, utilizando cenas de arquivo da família em filmes de 8 e 16mm, que retratam momentos dos pais ainda crianças, e a descontração e carinho do começo do relacionamento do casal, até concretizarem o matrimônio. Além de fotos antigas que remontam a história de forma delicada e poética com relatos da própria mãe, detalhando ainda mais os acontecimentos e expressando reações espontâneas ao assistir o material. Cláudia ainda participa do filme, fazendo diversas indagações sobre o relacionamento e o cotidiano dos pais.

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A trilha sonora ajuda a dramatizar o roteiro com músicas instrumentais suaves que se encaixam durante as lembranças. Todo o filme foi gravado na casa construída nos anos 1930, pelos pais de Moniz e, em que viveu durante praticamente toda sua vida. Ali, ela nasceu, casou, teve seus filhos e mora atualmente. Utilizando a luz natural que adentra pelas diversas janelas presentes e a bela fotografia do antigo e espaçoso casarão, o documentário toma vida.

Ruy Simões (1923-1996) e Maria Moniz começaram a namorar em 1947, ela ainda com treze anos, casaram-se em 1954 quando ficou grávida de sua primeira filha, Cláudia, vindo ainda a ter mais dois filhos. Mas o casamento não durou muito devido aos conflitos conjugais e ao machismo do marido, do qual ela reagia, separaram-se logo depois, em 1960, algo extremamente incomum para a época. Ambos refizeram suas vidas e, segundo relato da própria protagonista, o casamento não deu certo não só por conflitos, mas porque casar nunca esteve em seus planos. Maria se tornou atriz e atuou em diversas peças de teatro e filmes.

Um pouco diferente do que se pode talvez sugerir o título, não espere um lindo e melancólico romance sobre casamento, mas sim uma bela história de afirmação feminina muito à frente de seu tempo em um casamento. O documentário tem estreia prevista para dia 18 de maio nos cinemas.

Por Bruna Tinoco

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CasamentoCinemaCinema NacionalDocumentário

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