Entre polêmicas de bastidores, carisma questionável e um público incansável, Chappell Roan entrega um espetáculo competente — e cativante na medida do possível
Foi a vez de Chappell Roan subir ao palco Budweiser neste sábado no Lollapalooza 2026, em São Paulo, cercada por expectativas infladas — e um ruído extracampo que ameaçava atravessar a performance. Entre controvérsias recentes e a curiosidade de um público que já lotava a grade desde cedo, a cantora do Meio-oeste encontrou um cenário menos hostil do que se previa, mas ainda carregado de tensão suficiente para influenciar, direta ou indiretamente, a forma como sua presença foi percebida.
Quando escrevemos o nosso “O Que Esperar” para o show de Roan nós só não imaginávamos que a cantora iria se envolver num escândalo às vésperas de sua primeira apresentação no país — desses problemas que refletem o mantra “se desligarmos a internet esse problema ainda vai existir?”, bom, ele vai… mas chegamos lá.
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Long story, short story (mas explicamos melhor na matéria): Chappell estava hospedada no mesmo hotel de um jogador do Flamengo, Jorginho, que é pai de uma garota de 11 anos — a história se complica um pouco mais por ela também ser filha do ator Jude Law e isso não ter pegado bem na mídia internacional —, que estava hospedada no mesmo hotel, sorriu para a cantora, ao que seu segurança reclamou diretamente à mãe, em outra mesa, e disse que iria formalizar uma reclamação no hotel por assédio. O pai descascou a ruiva nas redes sociais.
Não sei em que mundo, porém, acreditou-se que a cantriz seria hostilizada no show — provável que pelo comportamento de manada mais viés de confirmação —, nada que de fato tenha ocorrido. O caso, porém, ajuda um pouco a explicar a relação da estadunidense com o público, especificamente em momentos privados; há duas semanas a própria se envolveu em outro episódio com fãs, mas em Paris durante a Fashion Week.
Não é preciso dizer que Chappell, brasileiros sendo bem passionais, arrumou problema por um bom tempo — ainda mais com os fãs fazendo questão de entoar “foda-se o Flamengo” durante o show —, mas à parte de sua simpatia de um fogão 1977 duas bocas, feito esse disclaimer, podemos falar que foi um show bom e competente.
Ela já abriu com “Super Graphic Ultra Modern Girl”, que por aqui foi até tema de novela, e embalou já outro grande hit “Femininomenon”. Até ali não havia uma surpresa, mas faixas menos conhecidas “After Midnight” e “Naked In Manhattan” davam a dimensão de seu sucesso na boca do povo; afinal, com o Budweiser lotado desde cedo, os fãs que estavam ali atravessaram uma verdadeira batalha espiritual para aguentar até de noite baixo o sol de insolação.
Ah, não falamos da entrada. Esse já é um show montado e dificilmente haveria alterações na setlist, isso porque é um espetáculo à cabaré, não só um balé coreografado, mas uma experiência que deve ser teatral no melhor estilo performance de drag queen. À própria cantora não é muito o feitio de inserções com o público além do casual (sem trocadilhos! bem…), como os “Are you with me, São Paulo?”, na verdade isso já volta para o ponto que tratamos no segundo parágrafo, mas, enfim. Já dissemos que ficamos perplexos com uma multidão coreografando “HOT TO GO!”? — aliás, arranjada de forma especial para o ao-vivo, como outros sucessos, e que ficou ótimo!
Nosso ponto alto particular, e não é porque não é uma música sua, foi o cover de “Barracuda”, dos rockeiros do Heart. Roan se daria muito bem se aventurando mais para o rock e até no metal, tem voz pra isso e atitude de sobra, foi uma quebra de clima gostosa antes de voltar pro repertório mais seguro do “The Rise And Fall of a Midwest Princess”, seu álbum de debut.
Aproveitando que tocamos nos vocais, tudo estava também alinhado. Nosso incômodo não foi especificamente com uma falha técnica, mas pela escolha em usar uma base muito alta que eclipsava sua voz em excesso em diversos momentos da performance. Cantar, dançar, e atuar (no sentido mais circense, de entregar performance) não é fácil, mas quem disse que galgar o caminho para ser uma A-list seria simples? Esperamos que venha mais vezes ao país, e que pelo menos a relação de cortisol de uma vaca no abatedouro em relação ao público mute um pouco também.
Confira a setlist do show de Chappell Roan nesse sábado
- 1. Super Graphic Ultra Modern Girl
- 2. Femininomenon
- 3. After Midnight
- 4. Nakes in Manhattan
- 5. Casual
- 6. The Subway
- 7. HOT TO GO!
- 8. Barracuda (cover de “Heart”)
- 9. Picture You
- 10. Love Me Anyway
- 11. The Giver
- 12. Red Wine Supernova
- 13. Coffee
- 14. Good Luck, Babe!
- 15. My Kink Is Karma
- 16. Pink Pony Club
- (“Applause”, de Lady Gaga, tocado ao final para encerrar)
Imagem Destacada: Divulgação/Midwest Princess Project
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