Festival acerta na line-up e Lollapalooza 2026 melhora a experiência do público
Chegou a hora de fazer nosso balanço do Lollapalooza 2026, e quem acompanha nossas coberturas aqui na Woo! sabe que não temos problema em apontar quando algo não vai bem, seja em organização ou estrutura. Dizendo respeito a essa edição, não vamos trazer queixas que se arrastaram de anos anteriores; seria um alinhamento milenar que contribuiu para tudo dar certo, ou parte de uma mudança consciente? Vamos explicar ponto a ponto.
O bom: a line-up

Embora esse elemento seja alvo de comentários ácidos, justamente pela subjetividade que é um line-up que agrade gregos e troianos, há pouco do que reclamar na seleção de artistas para esse ano. Além de nomes grandes e mais pop que movimentam boa parte do público — como Sabrina Carpenter, Doechii, ou Chappell Roan, o festival conseguiu em 2026 manter uma identidade própria — ano passado tivemos um retrogosto de The Town e, bem, é a Rock World que organiza o Lolla desde 2024, e há esse perigo de misturar as coisas. Esperamos que continue assim!
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Mas não são só os nomes que são importantes quando falamos da line-up; a disposição nos palcos é fundamental, isso para não acontecer o que rolou ano passado com escolhas bem das questionáveis de juntar Rüfus Dü Sol antes de Olivia Rodrigo enquanto Jão se apresentava no outro palco — deve haver um equilíbrio entre mobilidade e coesão artística, se não dá no que deu com o público mais maluco de certos artistas gradeando shows que não têm relação só para segurar o lugar até a performance esperada — e ninguém sai ganhando nisso.
Questões e questões, da nossa opinião faltou mais rock e metal. Turnstile, Interpol, e Deftones (!) dão o gosto de manter a alma rockeira acalentada, mas a demografia não saiu tão empanturrada quanto os popheads. Para nós, um dos melhores lines em anos, não a toa quase todos os dias esgotaram — mas, pudera, onde que Lewis Capaldi é headliner?
O ruim: o transporte
Se dentro do autódromo as coisas caminharam melhor, o mesmo não pode ser dito do acesso até ele. Chegar ao Autódromo de Interlagos tem sido, para dizer o mínimo, um teste de paciência — especialmente para quem depende da Linha 9–Esmeralda. Aqui, vale pontuar: trata-se não de uma falha do festival e mais de uma crítica à operação da ViaMobilidade, concessionária responsável pela linha. Ainda assim, o impacto na experiência do público é inegável. A abertura da “Estação Cidade Dutra” alivia, mas não é de longe solução ao problema da falta de trens — e isso vale mais para a sexta-feira.
Para quem mora na região, a sensação é de um deslocamento cada vez mais travado, com fluxos mal distribuídos e uma logística que não acompanha o volume de pessoas que o evento naturalmente atrai. Em contrapartida, há um ponto positivo: o trânsito no entorno apresentou melhora em relação a anos anteriores, indicando algum avanço na organização viária. Mas, no balanço geral, o gargalo do transporte público ainda pesa — e pesa muito — em um festival que, dentro de seus portões, claramente está mais acertando do que errando.
O bom: acessibilidade

Se em anos anteriores a acessibilidade foi um ponto sensível — com falhas que iam desde a ausência de intérpretes até a inconsistência entre palcos —, a edição de 2026 do Lollapalooza 2026 mostrou um avanço claro e, mais importante, perceptível na experiência do público. Em todos os shows que acompanhamos, havia intérpretes de Libras presentes, inclusive nos palcos principais, o que já representa uma mudança significativa em relação ao histórico recente do festival. E não se tratava apenas de cumprir protocolo: houve entrega.
O exemplo mais marcante foi no show da Lorde, cuja primeira intérprete simplesmente incorporou a performance com uma intensidade que arrancava atenção própria — uma presença cênica que dialogava com o palco e ampliava o espetáculo.
Outro acerto importante foi a questão da hidratação. As Water Stations do Bradesco funcionaram bem ao longo do evento, mas o diferencial esteve na distribuição ativa de água durante os shows. Com um sol implacável ao longo do fim de semana, essa decisão faz diferença na permanência e no conforto do público, evitando cenas mais críticas que já vimos em outras edições e festivais. Soma-se a isso uma produção visivelmente atenta e respeitosa na condução geral — seja na orientação do público, seja na forma como lidou com fluxos e demandas — e temos um cenário que indica um cuidado mais consistente com quem está ali vivendo o festival.
Fica a ressalva, ainda que parcial, para a infraestrutura de piso. Em comparação com edições anteriores do Lolla e com o padrão visto no The Town 2023 e no The Town 2025, ainda há uma sensação de menor investimento na preparação do terreno, especialmente em áreas de circulação. Festival é lama, mas também não precisa ser bagunça. No entanto, como não houve chuva nesta edição, não se formaram os cenários de lama que tradicionalmente escancaram esse tipo de problema — o que torna injusto cravar uma crítica contundente neste ano específico.
Imagem: Divulgação/Lollapalooza (Fotografia: Moriva/Fabioura)
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