Para além da curadoria para a construção de Lollapalooza enquanto festival era necessário entender o zeitgeist da juventude
Tem uma coisa estranha que acontece no Lollapalooza que é difícil de explicar para quem nunca foi: você não vai só pelos headliners. Vai, mas não é só isso. A edição de 2025, por exemplo, tinha Alanis Morissette de um lado e Olivia Rodrigo do outro — duas gerações de raiva feminina transformada em pop, separadas por trinta anos e talvez cinquenta metros de gramado em Interlagos. Essa coexistência absurda é exatamente o ponto.
Desde que o festival chegou ao Brasil, em 2012 no Jockey Club de São Paulo, a proposta foi sendo testada na prática. Nem sempre deu certo. Em 2022, o Foo Fighters cancelou na véspera porque Taylor Hawkins havia morrido e o festival improvisou oito rappers para cobrir o slot. Em 2023, Drake cancelou no dia do show e Skrillex entrou no lugar. Detalhe: surgiram fotos de Drake numa balada nos EUA horas antes do anúncio. O público no Autódromo passou o dia inteiro gritando coisas que não cabem num artigo de revista. No fim, Skrillex cantou “Sou Má” com Ludmilla e todo mundo esqueceu que estava com raiva.
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O próprio nome do festival saiu de uma situação igualmente improvável. Perry Farrell, vocalista do Jane’s Addiction, estava deitado no tapete lendo o dicionário — como qualquer pessoa normal faz num domingo — quando esbarrou na palavra “lollapalooza“. Significado: “algo ou alguém extraordinário”. Significado número dois, também no dicionário: “um pirulito gigante em espiral”. Ele achou que servia para nomear um festival. Curiosamente, acertou.
O que talvez surpreenda é que o Lolla quase não teria chegado até aqui. O festival nasceu em 1991 como uma turnê de despedida do próprio Jane’s Addiction, com nove bandas e a intenção explícita de encerrar as atividades com dignidade. Em 1998, foi cancelado e ficou sete anos no limbo. Quando voltou, em 2005, trouxe uma artista desconhecida num palco alternativo de Chicago — Lady Gaga, que tocou para uma plateia pequena e com recepção morna. Três anos depois estava em todo lugar. O Lolla tem esse histórico: não acerta sempre, mas quando acerta, acerta antes de todo mundo.
O festival funciona mesmo quando quebra. E talvez seja isso que o mantém relevante depois de mais de trinta anos.
Matéria escrita por Gabriel Bizarro.
Imagem Destacada: Divulgação/Lollapalooza (Crédito: Flashbang/Oxidany).
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