Depois de 9 anos a Prime Video entrega mais uma ótima série de espionagem e suspense com o retorno de “O Gerente Noturno”
Depois de nove anos, o Prime Video retorna ao universo de “O Gerente Noturno” com uma segunda temporada que reafirma a força da série de espionagem inspirada na obra de John Le Carré.
A nova fase mantém o suspense sofisticado, a elegância visual e o clima de tensão política que marcaram a produção original. Na primeira temporada, acompanhamos o espião Jonathan Pine, vivido com sensibilidade e firmeza por Tom Hiddleston, conhecido do grande público como o Loki do Universo Marvel.
Ele enfrentou o cruel traficante de armas Richard Roper, interpretado por Hugh Laurie (protagonista da série “House”), em uma trama ambientada no contexto da Primavera Árabe.
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Sob a orientação da agente Angela Burr (papel da oscarizada Olivia Colman), Pine deixou o conforto do cargo de gerente de hotel de luxo para atuar como agente infiltrado, usando sua experiência militar para desmantelar uma poderosa rede internacional disfarçada de filantropia em zonas de guerra.
Após uma aparente conclusão do caso em um prólogo que envolve Jonathan e Angela , a nova temporada avança seis anos na cronologia da série. Agora sob a identidade de Alex Goodwin, Jonathan retorna a Londres e assume a liderança das chamadas Corujas Noturnas, equipe de monitoramento interno do MI6, o serviço secreto britânico (eternizado na cultura pop como a casa de James Bond).
Durante a vigilância de um cassino clandestino, ele reconhece um ex-sócio de Roper e essa visão reacende traumas mal resolvidos e o impulsiona a seguir novas pistas que o levam à Colômbia. É nesse cenário que surge Teddy Dos Santos, herdeiro do império criminoso, interpretado por Diego Calva.
A trama explora as pressões sociais e econômicas ligadas ao narcotráfico e ao capital estrangeiro, ambientando a investigação em Medellín, retratada com cores vibrantes e fotografia que foge dos filtros amarronzados frequentemente usados para representar a América do Sul.

A direção mantém o padrão visual refinado e reforça a atmosfera de tensão constante.
As atuações continuam sendo um dos pilares da série: Tom Hiddleston sustenta o protagonismo com carisma e ambiguidade moral, tornando impossível não torcer por Jonathan Pine mesmo diante de decisões questionáveis. O personagem permanece humano, empático e estrategista, características que o afastam do estereótipo do espião frio e infalível.
Entre os novos nomes do elenco, Indira Varma se destaca como Mayra Cavendish, figura enigmática e ameaçadora que adiciona camadas políticas à narrativa.
Já Camila Morrone, como Roxana Bolaños, e Diego Calva, como o principal antagonista, entregam performances mais limitadas. No caso de Calva, falta nuance ao vilão, que oscila pouco emocionalmente e perde impacto em momentos decisivos.
Mesmo com qualidades técnicas evidentes, a série recorre ocasionalmente a clichês ligados à representação da latinidade, como a ênfase em sensualidade e corrupção generalizada. Algumas soluções narrativas simplificam conflitos complexos e aproximam a trama de um thriller de ação mais convencional, lembrando o universo de James Bond, em vez do realismo político denso associado a John Le Carré.
Ainda assim, os episódios finais elevam a tensão a um nível impressionante. A série mantém o risco constante, com traições internas e jogos de poder que reforçam a crítica ao dinheiro sujo e às estruturas corruptas. Pouco falta para que esta segunda temporada supere a primeira em sofisticação dramática.
O Gerente Noturno retorna como uma das melhores opções atuais para quem busca série de espionagem no streaming, combinando suspense político, produção elegante e a reconhecida competência britânica no gênero. E acerta também ao preservar uma abertura marcante, com tema musical forte e identidade própria, elemento cada vez mais raro nas séries de hoje.
Agora é torcer para que haja uma terceira temporada!
Imagem Destacada: Divulgação/Prime Video

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