Sequência aposta no humor, no visual deslumbrante e no carisma dos personagens, mas “Super Mario Galaxy” tropeça em narrativa dispersa
Sem spoilers, já adiantamos: vale a leitura — e, com certeza, o ingresso. “Super Mario Galaxy” chega aos cinemas do Brasil e do mundo amanhã, 1º de abril, trazendo de volta os encanadores mais queridos do universo em uma nova aventura intergaláctica, mas a gente da Woo! já foi dar uma conferidinha para contar um pouco de nossas impressões do segundo filme da saga, com pano já para um terceiro longa.
Breve sinopse por nossa conta: os encanadores mais queridos — e, pelo visto, famosos do universo estão de volta para uma aventura ainda mais superlativa: após derrotar (e diminuir) Bowser no primeiro filme (2023), os irmãos Mario e Luigi, agora acompanhados do carismático dinossaurinho Yoshi, têm que defender o Reino Cogumelo para a princesa Peach, que o deixou ao encargo dos irmãos para salvar a princesa do universo, Rosaline, sequestrada por Bowser Jr., que busca vingança pelo seu pai — ufa!
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“Super Mario Galaxy” é, antes de tudo, um deleite visual. A animação é fluida, vibrante, e parece empenhada em encher os olhos do espectador a cada novo cenário; a temática de galáxia/multimundos decerto ajuda — são infinitas as possibilidades. Há um cuidado evidente com o ritmo imagético, mas o que realmente se destaca são as pequenas quebras de estilo ao longo do filme: breves sequências em 2D ou o uso de fantoches surgem como adaptações ao conteúdo narrado, mudando o tom de forma inesperada e adorável. São momentos curtos, mas tão inventivos que deixam um gostinho de “queria mais disso”.

Narrativamente, o filme opta por um caminho bastante conservador. A estrutura de “lá e de volta outra vez” é clara e funcional, ainda que, para isso, precise desfazer ou contornar elementos estabelecidos anteriormente. Nada exatamente problemático — mas também nada particularmente ousado. Em alguns trechos, a sensação é de que o longa se permite divagar: pequenas vinhetas que não necessariamente levam a lugar algum, funcionando mais como esquetes independentes. Paradoxalmente, são essas mesmas “barrigas” que, ao mesmo tempo em que quebram o ritmo, ajudam a construir o charme do filme, reforçando a impressão de uma coleção de cenas soltas, unidas mais pelo afeto (e pletora de easter eggs) do que pela progressão dramática.
Vale aqui um breve adendo: criticar um filme infantil é sempre um terreno delicado. Não é incomum surgir o argumento de que “não é para você”, como se isso encerrasse qualquer discussão. Mas talvez seja justamente o contrário — obras voltadas ao público jovem são um campo fértil para pensar educação midiática, linguagem e construção de repertório. E, nesse sentido, “Super Mario Galaxy” evidencia algo já conhecido: o cuidado — por vezes até excessivo — da Nintendo com suas propriedades intelectuais. Há um zelo quase cirúrgico em preservar identidade, tom e segurança narrativa.

Ainda assim, o filme acerta em cheio onde mais importa: o humor. Trata-se de uma comédia familiar que realmente funciona para diferentes idades. As piadas são bem distribuídas, com momentos mais ingênuos para as crianças e pequenas piscadelas para o público adulto — de cabeça resgato uma fala específica de Luigi que deve funcionar melhor aos adultos, mas sem nunca quebrar o clima geral ou gerar deslocamento.
No fim das contas, é difícil não se deixar levar. Seria preciso um certo esforço — ou mau humor — para não esboçar ao menos um sorriso diante das situações que se desenrolam na tela. Quem for ao cinema acompanhando filhos, sobrinhos ou até mentir que é pelas crianças, provavelmente sairá tão entretido quanto eles. O filme é lindo de ver; missa de sétimo dia pra quem discordar — o corpo pode ter ficado, mas a alma já foi faz tempo.
Um adendo nosso sobre a equipe de dublagem — raramente tecemos críticas a esse carro chefe nacional, e aqui não é diferente; outro trabalho muito bem executado. Evidente que não temos como comparar vendo as duas versões, mas gostamos do que vimos, da naturalidade e entrega do elenco que continua afiado. Louros pro Eduardo Drummond como Toad que rouba toda cena.
Imagem Destacada: Divulgação/Universal Pictures

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