A história de Pavel Talankin e sua luta contra a máquina ideológica de Vladimir Putin
Em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia lançou sua ofensiva contra a Ucrânia, em uma ação que Vladimir Putin, autocrata de Moscou, batizou de “Operação Militar Especial”. Acreditando que os ucranianos cairiam sem resistência, Putin precipitou-se e mergulhou seu país em um conflito prolongado, que até hoje não encontrou desfecho. O povo invadido recusou-se a ceder mesmo que estivesse de frente a uma das mais poderosas máquinas militares do planeta. Rússia e Putin se consolidaram como vilões dessa narrativa, manchando ainda mais a reputação de uma nação já pouco amistosa no cenário político internacional.
É fundamental recordar, contudo, que os governantes não representam integralmente a vontade de seus cidadãos. Nem todo russo apoia Putin e sua entourage; muitos se arriscam em protestos, mesmo sob ameaça de prisão ou morte, diante de um regime que sufoca opositores com mão de ferro. Há notícias de dissidentes que perecem mesmo em exílio, vítimas de perseguições implacáveis. Após o lançamento do filme e o Oscar recebido de melhor documentário, o mais novo desses opositores é o protagonista de “Um Zé Ninguém Contra Putin”, que dá rosto e voz a uma obra que expõe a resistência de indivíduos comuns contra a engrenagem bélica do Kremlin.

O “Zé Ninguém” em questão é Pavel Talankin, professor e cinegrafista de uma escola em Karabash, pequena cidade marcada por ser a mais poluída do mundo devido ao seu pólo industrial. Talankin registrava o cotidiano dos estudantes e mantinha um espaço para projetos artísticos juvenis. Contudo, com o início da invasão, o ambiente escolar foi convertido em instrumento de propaganda pró-guerra, destinado a persuadir adolescentes a ingressar no exército e moldar as crianças para futuros alistamentos.
As filmagens, antes repletas de sorrisos e brincadeiras, tornaram-se veículos de desinformação e culto à personalidade de Putin. O ápice perturbador do longa ocorre durante uma espécie de aula magna ministrada por integrantes do grupo Wagner, mercenários notórios por crimes diversos. Nessa visita, crianças são instruídas a manusear armas e explosivos, evocando a atmosfera de uma escola militar — modelo que alguns setores defendem ser implementado oficialmente no Brasil, o que torna a cena ainda mais inquietante.
Talankin, outrora educador, transformou-se em repórter cinematográfico a serviço da rede britânica BBC, que o recrutou após ele denunciar online os abusos do regime. Em estilo cru e direto, seu filme expõe a realidade de um povo que também sofre sob a barbárie, embora, como próprio professor admite, não tanto quanto os ucranianos.
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Um “Zé Ninguém Contra Putin” é, portanto, mais que um registro documental: é uma peça de eposição dos russos à máquina de guerra que subjuga seus vizinhos. Além de conscientizar o mundo, o filme também dá voz a cidadãos comuns que, mesmo em uma cidade considerada inóspita e sob ataque ideológico corrosivo, persistem em resistir — tal como os ucranianos continuam a fazê-lo.
As imagens deste documentário constituem a própria resistência à narrativa ideológica deturpada de Putin e podem servir como instrumento de conscientização para aqueles que ainda insistem em apoiar um criminoso que se perpetua no comando de uma nação tão bela e poderosa que chega a ser reverenciada como “Mãe” por seus cidadãos mais apaixonados.
Este filme está disponível no Filmelier.
imagem em destaque: Divulgação/Synapse Distribution

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