Quando se fala sobre preconceito, um dos maiores assuntos é o preconceito racial, melhor conhecido como racismo. A cor da pele das pessoas não deveria fazer diferença, mas como visto no passado da humanidade, e até mesmo no presente, ainda que muita gente diga que não, é sempre um incomodo.

Filmes que falam sobre o preconceito racial volta e meia chegam a um ponto de discussão: ele é bom de verdade ou apenas causou alguma comoção pela história que conta? Comumente vemos pessoas descaracterizando uma obra que fala sobre o racismo dizendo que ele é apenas uma questão de vitimismo, ponto que foi amplamente aberto quando Moonlight” – que nem de longe é um filme apenas sobre o racismo – ganhou o Oscar de melhor filme do queridinho contemporâneo La La Land”. O que leva a seguinte pergunta: então um longa sobre segregação racial não pode ser bom o bastante? Será?

Obviamente, essa não é uma verdade aceita por todos. Na lista a seguir vamos falar de 5 filmes que debatem de maneira estupenda o racismo. E que ele existe, existe, e quanto mais falarmos sobre, melhor, pois não é um assunto que deve ser tabu em nenhuma sociedade.

A Cor Púrpura

Nenhuma lista sobre o assunto deve esquecer desta obra. Profunda, delicada e extremamente dramática e dolorosa, Spielberg conseguiu transformar a película em um clássico, com uma força gigante e emocionante. Whoopi Goldberg, Oprah Winfrey e o elenco do filme passam tanta verdade em suas interpretações que não há maneiras de assisti-lo sem sentir que ele toca algo realmente profundo dentro de cada um. A história de Cellie, personagem interpretada de uma maneira descomunal por Goldberg, não deixa dúvidas sobre o que era e como existiu o racismo do começo do século XX (e que perdura até hoje). Nem qual era a posição de uma mulher negra na sociedade. Este é um daqueles clássicos que qualquer pessoa que se considere cinéfila ou amante do cinema deve com certeza ver. Mas, o mais importante, esta é uma daquelas obras que qualquer ser humano deve assistir pelo menos uma vez na vida.

Cidade de Deus

O representante brasileiro da lista está aqui pelo motivo óbvio: mostra a exclusão social. Não é segredo algum que durante muitos anos a escravidão foi a forma como o mundo andou. O Brasil foi um dos últimos países a alforriar seus escravos. Foi também um dos mais ativos do mundo tirando africanos de seus lares e trazendo-os para cá. Ao libertá-los, deixou-os jogados, já que muitos ‘sinhôzinhos’ não contrataram seus empregados depois da Lei Áurea (lei assinada pela Princesa Isabel, que libertava os negros do trabalho escravo). Cidade de Deus mostra como um complexo habitacional tornou-se uma favela, com seus moradores, de maioria negra e considerados bandidos pela sociedade em geral, foram excluídos e marginalizados. O filme de Fernando Meirelles não é apenas sobre o racismo, mas também sobre a segregação que, ás vezes, custa muito aos outros aceitar ou perceber.

12 Anos de Escravidão

Outro filme tão polemizado no mundo, conta a história real de Solomon Northup, músico negro, alforriado, que foi sequestrado e obrigado a trabalhar como escravo. O filme, dirigido por Steve McQueen, mostra sua história desde o momento em que ele foi ludibriado, a humilhação que viveu com seus senhores, e como os Estados Unidos da América estava dividida irremediavelmente naquela época: enquanto em alguns lugares negros já viviam em sociedade, em outros estados a escravidão era vívida. O filme conta com um roteiro excelente, baseado na biografia de Solomon, direção de McQueen, atuações brilhantes de Chiwtel Ejiofor, Lupita Nyong’o e Michael Fassbender, além de excelente montagem, trilha, fotografia e direção de arte.

Histórias Cruzadas

Este é um dos  mais ovacionados, que ironicamente é, na verdade, protagonizado por uma atriz branca. A brilhante Emma Stone interpreta Skeeter, uma mulher que se formou em jornalismo, e decide dar voz as empregadas negras do Mississípi. E ai entram as duas melhores personagens da história Aibeleen e Minni, interpretadas por duas excelentes atrizes em exercício: Viola Davis e Octavia Spencer. Quando elas decidem contar suas histórias e abrir suas vidas, vemos como a sociedade americana, apesar de ter derrubado a escravidão,  ainda possuíam dentro de si a superioridade das raças e era visto na maneira como segregavam e usavam de suas leis para fazer isso. Negros não podiam usar os mesmos banheiros que brancos, deveriam se sentar sempre no fundo de salas, ônibus, e até mesmo tinham que ser autorizados a se sentarem e levantarem. É um dos poucos filmes que não causam tanta comoção por contar uma história sobre o racismo.

Estrelas Além do Tempo

Também ambientado nos anos 60, e contando a história do racismo nos EUA, com a participação de Octavia Spencer, Hidden Figures, o título original, mostra a história real de três importantes funcionárias da NASA: Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson. As três trabalhavam para a equipe de inteligência do órgão americano em um lugar que poderia ser indicado como um porão da agência. Não é, até que precisam de pessoas capacitadas e esquecem de sua cor de pele, que elas ganham espaço, mesmo que ainda enfrentem preconceito de seus outros colegas. Aos poucos e com paciência, Katherine, Dorothy e Mary não apenas escreveram seus nomes na história da agência espacial americana, como viraram símbolo de luta e superação.