“Westworld” foi divulgada desde o princípio como a nova “Game of Thrones” da HBO. Inspirada no filme homônimo de 1973, a série apresenta um futuro não muito distante, onde as pessoas podem realizar todas as suas vontades em um parque  temático do Velho Oeste, ao lado de robôs extremamente realistas. Com apenas dois episódios exibidos , ainda não é possível dizer se “Westworld” terá o mesmo sucesso de público e crítica que a saga de Westeros. Mas já podemos dizer porque a série merece atenção:

1.O Elenco 

Cada vez mais a televisão tem sido vista como um espaço de qualidade artística e maior liberdade criativa. Logo, não é de se espantar que “Westworld”, assim como outras séries, consiga reunir um elenco consistente de figuras conhecidas, como Evan Rachel Wood, Ed Harris, James Marsden e Anthony Hopkins. Além destes, se destacam Jeffrey Wright como Bernard Lowe, um dos cientistas responsáveis pelo parque, e Thandie Newton como Maeve Millay, uma cafetina robô. De brinde para o público brasileiro, Rodrigo Santoro completa o elenco.

O casal Teddy (James Marsden) e Dolores (Evan Rachel Wood), ambos robôs do parque. (crédito: HBO)

2. Fotografia e cenografia

Mais do que uma simples questão estética, a fotografia de “Westworld” exerce sua função narrativa com maestria. Os dois ambientes principais da série – o parque de diversões e o laboratório onde seus funcionários trabalham – possuem uma paleta de cores, iluminação e cenografia próprias,mas com a mesma capacidade imersiva. Juntos, a ensolarada cidade cenográfica e as formas geométricas do laboratório criam uma sensação de desconforto e estranheza fundamental para a série.

crédito: Imdb

3. Questões éticas

Em “Westworld”, só existe uma regra: os anfitriões – robôs do parque – não podem ferir os recém-chegados – visitantes humanos. Estes, pelo contrário, tem liberdade para violentar e abusar dos primeiros de todas as formas que desejarem. Após cada destruição e reconstrução, os robôs – que possuem inteligência artificial-  passam por um interrogatório onde é garantido que sua subserviência permanece intacta. Com as memórias de violências passadas apagadas, eles recomeçam cada dia,  ignorando sua verdadeira condição . Nesse ponto, a série abre espaço para vários questionamentos éticos sobre consentimento e a responsabilidade, além da velha discussão sobre a humanidade dos robôs,  já vista no cinema em filmes como “Blade Runner”,  e “A.I. – Inteligência Artificial”, e também na literatura, na obra de Isaac Asimov, entre outros. Com a discussão sobre a moralidade em alta na televisão, o enfoque de “Westworld” traz um sopro de novidade.

O cientista Bernard Lowe (Jeffrey Wright) ao lado do chefe e mentor Robert Ford (Anthony Hopkins (crédito: Imdb)

Bernard Lowe (Jeffrey Wright) ao lado do chefe e mentor Robert Ford (Anthony Hopkins)

4. A narrativa

Em uma cena do segundo capítulo, Robert Ford (Anthony Hopkins) argumenta que as pessoas não visitam o parque pelos experiências chocantes que vivem alí, mas pelas possibilidades de vida que ele oferece. A ideia combina com a narrativa proposta nos dois capítulos iniciais. Embora se passe em um universo onde a violência seja recorrente, e se trate de uma série da HBO, “Westworld” parece interessada em criar uma história com menos choques e mais sutilezas. Mesmo quando explanativa, a trama não subestima o espectador e revela detalhes na medida certa, sem precisa recorrer a cliffhangers escandalosos. Esses detalhes, somados ao apuro estético, faz a série soar mais como “True Detective” do que “Game of Thrones” (em termos de rigor artístico e complexidade narrativa, não de proposta). A falta inicial de respostas pode deixar alguns espectadores temerosos (alguém lembrou de “Lost”?), mas a produção chegou a atrasar as filmagens para poder pensar toda a trama até uma possível quinta temporada. Logo, o público pode ficar mais tranquilo.

Ed Harris como o Homem de Preto (crédito: Imdb)

Ed Harris como o Homem de Preto

5. Anthony Hopkins

Pode parecer desnecessário destacar a atuação de um ator com o talento e a carreira de Anthony Hopkins, mas seria injusto não fazê-lo. É pelo olhar de seu personagem, um dos criadores do parque, que o encanto por esse universo surge. Ao mesmo tempo, é impossível não sentir uma perversidade em alguém que se empenhe tanto em humanizar seus robôs, mas permite que eles sejam violentados com requintes de crueldade. Hopkins entrega ao público toda a ambiguidade de seu personagem e sua criação, sem soar repetitivo.