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CríticaFilmes

Crítica (2): Cães Selvagens

Rodrigo Chinchio
29 de março de 2017 3 Mins Read

j9yDvkpufrYB4vARF7veAE0ZlicPaul Schrader é conhecido pelos cinéfilos por ter escrito o roteiro do clássico de Martin Scorsese “Taxi Driver”. Os personagens marginais escritos por Schrader passaram a ser reverenciados e emulados em vários filmes futuros, transformando o escritor em uma espécie de referência na criação de personagens e histórias desse tipo. Quase todos os indivíduos escritos por Schrader nascem nas ruas e são nelas que eles se desenvolvem e morrem.

O novo “Cães Selvagens” não foge à regra trazendo um trio de criminosos que querem promover o último golpe que os deixará milionários. Nicolas Cage e Willen Dafoe caem muito bem no papel dos bandidos decadentes, que, longe do glamour dos verdadeiros gangsters, só conseguem sexo com prostitutas em casas de strip-tease de quinta categoria e se vestem com roupas baratas.

Os bandidos aqui representados parecem imitações capengas de filmes de máfia dos anos 90, até os nomes são evidências disso, só para citar os principais, há o Troy, Mad Dog e Greco The Greek. A intenção do diretor em fazer uma espécie de exercício metalinguístico satírico é claro ao nos lembrar que se trata de um “filme falso”, com a amostra de situações criadas por ele mesmo no passado.160511Em muitos momentos há a impressão de sonho, com imagens esfumaçadas e inundadas de luz, o que transformam os planos em grandes aquarelas de cores fortes, quase selvagens. O Troy de Nicolas Cage se vê como uma reencarnação de Humphrey Bogart, o que é irônico pelo fato de Bogart ser a antítese do estilo de Troy. Bogart geralmente interpretava o galã elegante e sempre alinhado, reforçando a ilusão hollywoodiana que Troy possui. Já no clímax Troy passa a literalmente a emular Bogart, quase sendo possuído pelo astro do passado. O cinema é constantemente citado em “Cães Selvagens”, como quando eles estão planejando o último trabalho, (que envolve o sequestro de um bebê), e constatam, trazendo à tona as suas memórias fílmicas, de que aquele tipo de plano geralmente não dá certo nas histórias que eles já viram. Em uma perseguição, ao fugir do carro acidentado, um dos bandidos “corre” de uma forma que parece estar em câmera lenta, como pedindo para que seja pego, pois, ser pego, é o que acontece em outros filmes feitos nesse gênero.

A violência é acentuada durante a trama, com um certo exagero até. Ela é construída com um alto grau de artificialidade gráfica, que quase chega a ser cafona. As cabeças explodindo e os assassinatos brutais pulam da tela para a plateia. O filme, apesar de todas essas referências, se perde em suas próprias intenções, já que se mantém vazio até o final. Talvez apenas aqueles cinéfilos fãs de “Taxi Driver” ou de outras produções do gênero irão apreciar por completo “Cães Selvagens”. O recente histórico de Nicolas Cage também deve atrapalhar na recepção do filme, já que o ator está constantemente ligado a produções de gostos duvidosos. Ele, assim como Paul Schrader, não devem agradar muitas pessoas neste aqui também, mesmo sendo um filme de gosto duvidoso que tenta expor algumas ideias.

 

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Rodrigo Chinchio

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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