Crítica: A Garota no Trem

a garota do tremAté onde aquilo que enxergamos é verdade? Esse é o questionamento central do suspense “A Garota no Trem”, que conta a história de Rachel, uma mulher solteira e alcoólatra que todos os dias pega o trem para ir e voltar de Manhattan. Enquanto o trem faz seu percurso, ela observa uma casa na Rua Beckett, nº15, com um casal que parece ter uma vida feliz, da maneira que ela sempre almejou. Um dia, Rachel presencia uma cena que destrói as fantasias felizes que ela imaginava sobre o casal e, quando menos se espera, se vê envolvida em uma investigação policial onde é a principal suspeita.

“A Garota no Trem” é um livro, de Paula Hawkins. Teve 10 milhões de exemplares vendidos. Segundo o Entertainment Weekly, “é capaz de fazer o mais difícil em um thriller: juntar peça por peça do que achamos que sabemos, até revelar aquele único detalhe que não conseguimos antecipar”. A adaptação para o cinema fica pela direção de Tate Taylor, que dirigiu Histórias Cruzadas e, novamente, faz um trabalho belíssimo que conquista o espectador e o deixa “vidrado” na tela.

Emily Blunt dá vida a Rachel e passa uma extrema veracidade para o público. Mostra o quão perturbador é a mente de uma pessoa que permite que o álcool controle suas ações, a ponto de não lembrá-las e admitir ter medo de si mesma. Para viver Megan, a então esposa do casal, o papel foi dado à atriz Haley Bennett. Megan é uma mulher frustrada, cansada de sua vida e de seu casamento, que guarda um segredo sobre seu passado. Haley conquista o público nas cenas em que se abre e deixa seu emocional transparecer. Para viver Anna, atual esposa de Tom, ex marido de Rachel, está Rebecca Ferguson. Anna é uma mulher submissa ao marido que vive para cuidar da filha. No começo, ela não parece ser parte importante da história e é apenas colocada como “a amante que virou esposa”, mas com o desenrolar da trama, percebe-se que Anna não tem nada de inocente.gott7

O antagonismo fica por parte de Tom, vivido pelo ator Justin Theroux. É essencial comentar, em tempos de empoderamento feminino, como as três atrizes e o ator exemplificam bem um relacionamento abusivo. Tom é um homem abusivo, egocêntrico e prepotente. No começo do filme, culpabilizamos Rachel por tudo que acontece e, no final, as “máscaras” vão caindo e nos culpamos pelo julgamento. Ela é a verdadeira vítima.

Vale morrer de amores pela pequena participação das atrizes Laura Prepon (a Alex, de Orange Is The New Black) e Lisa Kudrow (a Phoebe, de Friends). A personagem de Lisa, Martha, é crucial para o desfecho da história.

Os cenários que tem as duas casas da rua Beckett, compõem o típico ambiente americano de família que se vê em séries de tv, a cozinha que fica junto a sala, área de lazer, uma sacada, jardim, um “clichê”. Ainda assim, funciona ao se enxergar nas famílias de cada casa como se dão as suas relações pessoais. O roteiro é inteligente com diálogos compreensíveis, inclusive nos momentos de confusões e gritarias, conseguem traduzir para o espectador uma boa interação entre os personagens. Nas cenas de tensão, a trilha sonora consegue dar conta de produzir uma sensação de ansiedade em quem assiste, com músicas de suspense que complementam a cena e unificam o filme de maneira sutil.

Talvez a única, porém pequena, crítica negativa, seja com a cronologia dos fatos. É muito mais fácil para quem já leu o livro entender a ordem das histórias. Quem assiste ao filme sem ler pode se confundir em um momento de distração, mas não é nada que não dê para ser entendido depois.

“A Garota no Trem” chega nos cinemas no dia 27 de outubro. É um filme que faz o espectador pensar, um suspense hipnotizante.

Crítica: A Garota no Trem
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