7 de dezembro de 2019

img_0393Sabe quando você começa ver um filme imaginando que ele seria uma coisa, mas ele não é? Pois bem, é um pouco por ai que vamos. A Nona Vida de Louis Drax já chega ao cinema com um grande peso: é baseado em um livro e têm alguns fãs ávidos por sua adaptação.

Louis Drax é um garotinho que com pouco idade já passou por muitas coisas incomuns. Sagaz e com um olhar muito atento, é diferente dos amiguinhos da escola e por isso acaba sendo deixado de lado por eles. Só que Louis, antes de completar nove anos, tinha ido parar oito vezes no hospital por algum tipo de acidente grave, fora as outras vezes que se machucou sem gravidade.

Mas, ao completar nove anos em um piquenique com os pais, ele acaba sofrendo um grave acidente e ficando em coma. Sua mãe, sempre amorosa e dedicada, não sai do seu lado, ou quando sai, sai apenas para desabafar com o médico de Louis, Dr. Allan Pascal. Só que o acidente de Louis e o desaparecimento de seu pai no mesmo dia, acaba por dar uma inesperada atenção ao acidente e trazendo a tona alguns mistérios da relação do menino com seus pais.

O livro não é um ponto de referência para essa crítica, então eu não vou usa-lo ou pensar sobre ele porque simplesmente não o li. Vamos nos ater ao filme. Ele é, sem sombra de dúvidas, surpreendente. Há ali muitas reviravoltas sutis, algumas dicas no meio do caminho, mas o assunto do qual trata é bastante desconhecido. Ter Louis como o narrador central é uma boa tacada: apesar de ser um menino e de sua visão ser limitada por isso, ele é quem traz algo mais delicado e menos dramático, afinal, estamos ouvindo o que ele quer contar.
Ainden Longworth faz o menino protagonista do filme. É através dele que vamos conhecendo sua história. É uma grande responsabilidade, mas Ainden consegue lidar com ela e não fazer a criança prodígio e chatinha dos filmes. Jamie Dornan aparece em seu segundo personagem baseado em um livro (só para lembrar, Dornan é o Sr. Grey do filme 50 Tons De Cinza, que também é baseado em livro). Faz o dedicado médico de Louis. Talvez com um outro ator, Dr. Pascal ganhasse mais profundidade, mais densidade, mas não se pode dizer que Dornan foi ruim. Fez um trabalho mediano, crível. Sarah Gadon como a mãe também faz um bom trabalho. Ela tem um papel crucial na trama, então precisava ser bastante correta em sua atuação. Aaron Paul como o pai do menino e Oliver Platt (que parece sempre ter algum personagem coadjuvante importante em filmes) como o médico, fecham o elenco principal com boas atuações.

O roteiro flui bem e não entrega demais ao publico. É bem bolado, e as dicas ocorrem a todo momento sem serem óbvias. O filme lembra vagamento o longa Se Eu Ficar, mas todo o enredo, tudo que acontece nele a todo instante é bem diferente, e só pra lembrar, não é um romance, não há um casal aqui, a pegada, nesse caso, é outra que foge ao filme romântico juvenil.

Chama a atenção a caracterização. É algo que em um certo momento é necessário e é muito difícil lidar com a figura que tem-se ali. Ela não é assustadora, mas é misteriosa. A fotografia também funciona bem, junto com a trilha sonora. Há algo de fábula na produção, e esses três fatores estão em harmonia para essa construção.

Alexandre Aja faz um bom trabalho, delicado, sutil, sem deixá-lo arrastado. Para quem vai atras de um bom entretenimento, aqui há um.

A Nona Vida de Louis Prax entra em cartaz dia 20 de outubro em todo Brasil.

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Marya Cecília Ribeiro

Marya Cecília é goiana de nascimento, mora em São Paulo há seis anos e ainda assim não consegue lidar com o clima 4 estações em um dia que rola nessa cidade.
Tem umas manias esquisitas, tipo ver um filme que gosta várias vezes, mas esta tentando lidar com isso (ou não). Falando nisso, ela não faz questão nenhuma de ser normal, então podemos apenas seguir em frente!

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1 thought on “Crítica: A Nona Vida de Louis Drax

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