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Crítica

Crítica: Batman

Batman 2
Imagem: divulgação/Warner Bros. Brasil

Esse texto não possui spoilers

Depois que os créditos finais de “Batman” começarem a subir, todos os fãs da DC terão a certeza de que o filme que eles acabaram de ver definitivamente não fará parte do universo da Liga da Justiça construído até o momento. Por outro lado, para esses fãs e para o espectador mais atento, será fácil compará-lo com a “realista” trilogia do super-herói dirigido por Christopher Nolan no passado, já que a História de detetive criada por Matt Reeves e Peter Craig é menos fantasiosa, e voltada aos conflitos com vilões sem superpoderes. Aparentemente, os produtores acertaram em desvincular seu filme de qualquer outro, e em apostar em um material mais adulto, afinal de contas, foram esses elementos que transformaram as obras de Nolan em sucessos de crítica e público.

Imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures Brasil

O que mais aproxima “Batman” ao “Cavaleiro das Trevas” é a atmosfera mais soturna, com a maioria das cenas passando-se à noite e sob chuva. No entanto, as ruas infestadas de ratos, lixo e bandidos lembram a Gotham oitentista mostrada em “Coringa” – só lembram mesmo, porque nada leva a crer que os filmes estão na mesma linha de tempo, para felicidade de uns e tristeza de outros.

Continuando com as comparações, é primordial dizer que a obra dirigida por Matt Reeves tem em seu papel principal um intérprete diferente de seus antecessores cinematográficos. Se Michael Keaton, Christian Bale e Bem Affleck fizerem homens mais maduros, o jovem Bruce Wayne encarnado por Robert Pattinson é um poço de insegurança e incertezas, dando para compará-lo a Peter Parker, guardando as devidas proporções, evidentemente. Ele tem muito o que aprender durante o combate ao crime e com as consequências de suas ações, com ou sem o capuz. Em um momento específico, inclusive, é sugerido que Wayne ainda possui medo de altura, mesmo que tenha que subir em prédios frequentemente. Ou seja, o caminho de aprendizado para o vigilante está em seu início. Há até uma dica sobre a imaturidade do herói dada pelo roteiro, e que vem logo no início da projeção: um jovem está em estado de iniciação dentro de uma gangue de bandidos, mas se sente mal com as atitudes do grupo. Forçado a entrar em ação, esse jovem se vê acuado, sem saber o que fazer. Não por acaso, apenas metade de seu rosto está pintado com as cores do grupo, já a outra está limpa.  Assim como ele, Bruce precisa descobrir qual caminho correto a seguir. Será que seus atos fazem bem ou mal para a sua amada cidade? Batman precisa ser um símbolo de vingança ou de esperança? Essas respostas são respondidas, mas não cabe explaná-las aqui para evitar spoilers.

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O que dá para dizer é que o roteiro escrito por Reeves e Craig apresenta novamente o assassinato dos pais de Bruce e como isso o afetou durante sua juventude até a fase adulta, porém, desta vez, a fatalidade também está intimamente ligada a Gotham. Ou seja, as mortes de Marta e Thomas Wayne não são apenas ferramentas para construir a personalidade do filho, mas também um fio condutor de toda a trama. Com isso, o texto torna tudo muito pessoal para o herói, o que explica a raiva que ele sente ao surrar brutalmente capangas e alguns de seus adversários.

Imagem: Divulgação/Warner Bros Pictures. Brasil

Adversários esses que vêm nas figuras do Charada (Paul Dano), Pinguim (Colin Farrell por baixo de um impressionante trabalho de maquiagem) e Carmine Falcone (John Turturro). Eles são a representação da doença e da corrupção que tomou conta de Gotham. A “Mulher Gato” (Zoë Kravitz), por sua vez, fica na sua já conhecida área cinza. Por outro lado, há os sinceramente bem-intencionados James Gordon (Jeffrey Wright), a candidata ao cargo de prefeita Bella Reál (Jayme Lawson) e Alfred Pennyworth (Andy Serkis). Todos esses personagens servem para dar uma visão de luz e trevas a Batman, uma dicotomia importante para a formação do herói.

Leia mais: Pode “Batman” Repetir Sucesso De “Homem-Aranha: Sem Volta Pra Casa”?

Sim, “Batman” pode ser visto como uma história de formação, seja a do herói ou a do homem, e é por isso que as figuras paternas e maternas são tão importantes no roteiro, desde o vilão que foi abandonado em um orfanato até um órfão que cresceu bilionário em uma mansão. Matt Reeves então constrói um filme que é ótimo nas suas cenas de ação e nos trechos mais investigativos, e excelente quando ele explora a psicologia e o caráter de seus personagens, e isso é essencial quando se quer fazer qualquer material sobre Batman corretamente.

Vídeo: Warner Bros. Pictures Brasil

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Batman 2
Crítica: Batman
Sinopse
THE BATMAN com o realizador Matt Reeves no comando, e protagonizado por Robert Pattinson no duplo papel de detetive de Gotham City e do seu alter ego, o bilionário solitário Bruce Wayne.
Prós
Filme mais adulto, o que vai na contramão dos atuais filmes infantilizados de super-heróis
Boa atuação do elenco, em especial Robert Pattinson
O filme usa a história da morte dos pais de Bruce Wayne como fio condutor da trama e não apenas como desculpa para os traumas do personagem
Contras
Poderia ser um pouco mais curto
4
Nota
Written By

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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