Calmaria” parece uma grande ironia, já começando pelo título que carrega consigo. Isso, no entanto, não é exatamente um elogio, já que a falta de calma do filme não é sinônimo de qualidade. Ao contrário de calmo, o espectador pode sair frustrado e tal frustração não vem do nada, mas vai aumentando da segunda metade da projeção até seu encerramento. Calmaria, como tantos outros títulos, pensa que é mais perspicaz do que realmente é e se perde em sua pretensão, que inclusive é um fator crescente ao longo do filme.

Sendo assim, o roteiro se mostra o maior problema aqui, uma vez que a esmagadora maioria dos problemas são derivados dele. Há grandes nomes no elenco como Matthew McConaughey e Anne Hathaway, embora eles não possuam muitas camadas e nem muito material com o qual poderiam trabalhar seus papéis, o que por consequência nos traz atuações altamente supérfluas e genéricas por parte deles. Outros, ainda, enquanto coadjuvantes, mal aparecem ou tem tempo de tela expressivo para qualquer desenvolvimento interpretativo que seja. Da mesma forma, os aspectos técnicos presentes remetem a produções de baixo nível para a televisão, já que são todos absolutamente comportados e burocráticos, sem nunca experimentar ir além. Mesmo porque, em “Calmaria” isso não seria possível. O longa aposta na suposta força de uma premissa, de uma trama, que passa longe do seu objetivo final.

Ainda assim, há de se reconhecer alguns méritos. A primeira metade, na qual aparecem traços do gênero de suspense, consegue trazer algumas atmosfera de mistério e instigar minimamente o espectador. Já a conclusão, propriamente dita, por mais que venha de um embaraçoso plot twist, pode surpreender um pouco, ato esse que nem chega a durar muito por conta do melodrama que se segue.

Em “Calmaria”, é difícil encontrar bons pontos para se falar sobre, bem como é difícil entender a escolha de renomados atores pelo projeto. Depois da projeção, pensando na obra como um todo, fica quase impossível compreender o investimento de tempo e dinheiro tido aqui.

Assim, Calmaria torna-se apenas mais um dispensável filme entre tantos outros rapidamente esquecidos. Subestima o espectador e aposta demais naquilo que não possui força, fazendo o longa inócuo, desinteressante e até constrangedor, em alguns sentidos. É, de fato, tarefa árdua ficar calmo após assistir algo assim.


Fotos e Vídeo: Divulgação/Diamond Films

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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