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CríticaFilmes

Crítica: A Câmera de Claire

Avatar de Marya Cecília Ribeiro
Marya Cecília Ribeiro
22 de outubro de 2017 3 Mins Read

426668Isabelle Huppert é um fenômeno francês. Se nos EUA temos Meryl Streep, no Brasil Fernanda Montenegro, a França, indubitavelmente, tem Isabelle. E é uma bela representação do que têm-se de melhor.

O projeto do diretor Hong Sang-Soo traz uma produção que é um pouco maior que um curta e um pouco menor que um longa, com apenas 1 hora e 9 minutos de duração. Huppert dá vida a uma das protagonistas, Claire. O filme ronda pela vida de quatro personagens. Melhor dizendo, de três, porque Claire é quem está assistindo enquanto os outros três estão vivendo.

A personagem principal tem a chance de tocar e ser tocada, com um olhar verdadeiro de artista, enquanto vê o desenrolar de uma história, acompanhando como telespectadora, sendo capaz de ouvir os dois lados sem interferir. Com sua câmera ela registra os momentos, podendo fazer fotos importantes ou apenas corriqueiras.

Há algo de tão profundo e sensível em observar este filme que é quase como se pudéssemos invadir a a relação que há dentro dele. Hong Sang-Soo também escreve o roteiro de maneira excepcional. Não há cobranças nem construções equivocadas. É apenas o olhar de uma pessoa de fora sobre algo que está acontecendo e que, por algum acaso ou destino, alguém colocou uma lupa ali e podemos observar.

Não há nada de grandioso no filme. Ele não está inventando a roda nem têm aspirações gigantescas, mas o que há de melhor ali é a sutileza com o que se vê. A vida não é feita de grandes teorias, o mundo não precisa ser salvo todos os dias de catástrofes enormes. Por mais que vários momentos nossos deem grandes histórias, eles passam incólumes e nem sempre sabemos todos os fatores que nos levaram até o momento presente. Mas, nem por isso não merecem ser registrados. E o que vemos em A Câmera de Claire também é sequencial, não pontual. São fatos que ainda podem dar muita história, não acabam com um “e foram felizes para sempre”.

A Câmera de Claire4

Isabelle divide cena com os atores Kim Min-Hee, Jang Mi Hee e Jin-yeong Joeng, e os quatros estão ótimos na tela. Há um passeio muito interessante pelos idiomas: francês, coreano e inglês aparecem ali e vão pontuando a cena. É um reconhecimento de que o filme e seus atores são de nacionalidades diferentes e isso merece ser colocado. Os quatro estão em perfeita sintonia. Há momentos de empatia e há momentos de afastamento dos personagens. No entanto, você não termina o longa rejeitando mais um que outro. É como a vida: pessoas são boas ou ruins, passam por momentos felizes e sofridos. E seguem em frente. E eles estão bem pontuados em seus momentos, conseguindo transpor seus personagens sem condená-los ou santificá-los por suas ações.

O filme trabalha a contemplação do presente momento, nada utópico. É algo que podemos ver a olho nu em qualquer lugar do mundo: um cachorro velho deitado em um café, pessoas andando na praia, aproveitando o dia, trabalhando, estudando, vivendo… É tudo uma fotografia atual, bem como as cores ali. O mundo com poesia como vemos hoje, vivenciado pelo olhar da personagem principal que é bem artístico. Se não houvesse um conjunto, um equilíbrio, não seria poético. Mas, as escolhas funcionaram perfeitamente bem e trouxeram um resultado final maravilhoso de se acompanhar.

Hong Sang-Soo demonstra uma capacidade de enxergar além que é difícil de se filmar, de ter bons resultados. Suas escolhas são sutis e sensíveis, com um olhar pouco dramático. Nas mãos de outro diretor, A Câmera de Claire poderia ser um filme dramático e meloso, puxando para histórias de cortar o coração. Mas, com Hong Sang-Soo a obra ganha o ar que têm que ganhar.

A Câmera de Claire foi visto no Festival do Rio de Janeiro.

O longa ainda não possui trailer dublado ou legendado em português

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9.5

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Tags:

CinemaDramaIsabelle Huppert

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Avatar de Marya Cecília Ribeiro
Me siga Escrito por

Marya Cecília Ribeiro

Marya Cecília é goiana de nascimento, mora em São Paulo há seis anos e ainda assim não consegue lidar com o clima 4 estações em um dia que rola nessa cidade. Tem umas manias esquisitas, tipo ver um filme que gosta várias vezes, mas esta tentando lidar com isso (ou não). Falando nisso, ela não faz questão nenhuma de ser normal, então podemos apenas seguir em frente!

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