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Crítica

Crítica: Espírito de Família

Espirito de Familia
Imagem: Divulgação/A2 Filmes

Espirito de Familia

Imagem: Divulgação/A2 Filmes

Nada melhor que ficar junto da família. É nela que se encontra a força para superar as adversidades. Por outro lado, sem ela, a solidão acaba aprisionando as pessoas em seus próprios mundos. Não se olha para o lado. Não se percebe as belezas da vida. Ainda mais em uma sociedade onde os corpos foram substituídos por simulações que geram narrativas particulares para cada um. Em “Espírito de Família”, o escritor Alexandre (Guillaume de Tonquédec) passa boa parte da vida imerso em sua própria simulação – gerada por suas histórias literárias –, que o faz ignorar seus familiares, principalmente seu pai (François Berléand), sua esposa (Isabelle Carré) e seu filho (Jules Gauzelin).

Tudo muda quando o pai morre repentinamente e seu espírito começa a aparecer e falar com Alexandre. Claro que o “espírito” é uma alegoria, já que o filme dirigido por Éric Besnard não tem pretensão de ser uma fantasia. Ele é apenas uma história de aprendizado onde seu personagem principal vai ganhando consciência de seu passado de erros em decorrência da morte de um ente querido. Na verdade, “Espírito de Família” pode ser descrito como uma “dramédia” bem ao estilo do cinema comercial francês. Por isso, não espere complexidade de roteiro, atuações profundas e direção autoral. O que há é um pouco de humor não tão engraçado e uma mensagem bonitinha, mas banal em sua confecção.

Para apreciar o filme, é preciso assisti-lo sem grandes expectativas cinéfilas. Com isso, ficará fácil não se decepcionar com os incontáveis clichês e com cenas constrangedoras do roteiro, como a de um jogo de Rugby improvisada pelos personagens em uma praia. Ela foi construída para ser engraçada, mas acabou sendo enfadonha e ridícula. Outro problema é a falta de propósito da irritante personagem Sandrine (Marie-Julie Baup), a cunhada de Alexandre. Sua presença não é importante à trama, e não gera qualquer conflito. Além disso, seu desenvolvimento é confuso: primeiro ela parece ser uma mulher triste com o casamento, depois se mostra uma doente mental, para depois se curar magicamente e tomar uma decisão completamente fria. A atuação cheia de grunhidos e histeria de Julie Baup só piora a situação.

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Imagem: Divulgação/A2 Filmes

Em contrapartida, o protagonista é deveras bem desenvolvido. O homem passa de uma existência mesquinha e indiferente para uma completamente dedicada à família. O processo de aprendizado é bem executado, e recebe a ajuda de uma boa atuação de Guillaume de Tonquédec, que usa camadas dramáticas bem definidas. No início, ele ignora todos. Só se importa com o texto na tela de seu notebook. É amargurado e carrancudo.  Com o decorrer de sua jornada, o sorriso e as lágrimas, antes inexistentes, tomam conta de suas feições. Isso porque ele entende que chegou o momento de deixar o mundo inventado de lado e olhar para aquilo que realmente importa: as pessoas que o amam.

Espírito de Família” possui alguns problemas que o deixariam em um patamar razoável no espectro dos filmes comerciais franceses, no entanto, acerta em alguns elementos que fazem dele um bom entretenimento. Um feel good movie que pode cair bem em tempos obscuros como os atuais. Ele serve como inspiração para as novas vidas pós-pandemia.

O filme está disponível nas seguintes plataformas de streaming: NOW, Looke, Microsoft, Vivo Play, Google Play, iTunes e Sky Play.

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Vídeo e Imagem: Divulgação/A2 Filmes

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Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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