Crítica: Heavy Metal – Universo em fantasia

“Animação para adultos” é uma expressão que traz à mente uma lista longa de filmes, desde o infame Festa da Salsicha, passando pelas loucuras animalescas dos títulos que se enquadram no estilo Hentai até filmes incríveis do nível de “Akira” e A viagem de Chihiro.

“Heavy Metal – Universo em Fantasia” está no meio do caminho entre tudo isso. Baseado nas revistas homônimas de quadrinhos adultos, o filme foi lançado em agosto de 1981 no Canadá. Dirigido por Gerald Potterton e contendo altas doses de ficção científica, humor nonsense, sensualidade, violência e muita imaginação, o longa pode ser (apesar de tudo) considerado um clássico cult oitentista.

O enredo gira em torno de uma misteriosa esfera (ou meteorito?) verde que um astronauta leva para casa sem saber que ele é “a origem de todo o mal”. A partir disso, sete segmentos diferentes se iniciam e, sejamos sinceros, alguns bem melhores que outros. O problema de algumas dessas miniestórias são a violência gratuita e a misoginia, bem típicas do universo nerd na maioria das revistas e filmes nerds dos anos 80.

Dois destes segmentos, por exemplo, (“Den” e “Harry Canion”) giram em torno, basicamente, do resgate da mocinha que retribui o heroísmo do protagonista com favores sexuais. Sem querer ser anacrônica, verdade seja dita: na onda do empoderamento feminino atual, estas duas sequências dentro do filme pegam muito mal, além de serem datadas, elaboradas para um público que era fiel a produções do estilo “Porky’s” ou “Férias do barulho”.

O segmento final, entretanto, é o ponto alto do filme e é o que faz o mesmo ser tão merecedor do play. Intitulado “Taarna” e inspirado em uma estória de ninguém menos que o mestre dos quadrinhos Moebius, a sequência traz uma personagem forte, feroz e que protagoniza uma espécie de western pós-apocalíptico com certa profundidade. E tudo isso com um plus: abstendo-se de palavras.

Apesar da misoginia – afinal, que heroína lutaria com um biquíni super cavado e precisaria aparecer nua tantas vezes – Taarna é uma das primeiras a provar que é possível ter personagens femininas à frente de ótimas estórias de ação (Lara Croft agradece).

A trilha é um detalhe à parte do filme – como não poderia deixar de ser, já que é musical até no título. Black Sabbath, Blue Oyster Cult, Cheap Trick, Grand Funk Railroad, Sammy Hagar, Nazareth, Stevie Nicks e muitos outros formam o time roqueiro invejável para ninguém botar defeito.

Se você é fã de quadrinhos, ficção científica distópica bem ao estilo anos 80 e uma boa trilha sonora, “Heavy Metal – Universo em Fantasia” traz cerca de 90 minutos disso tudo. Mesmo esbarrando no humor raso sexista e na desvalorização das personagens femininas, vale o play; especialmente se você desligar a parte mais crítica, problematizadora e desconstruidora do cérebro.


Por Thais Isel

Crítica: Heavy Metal - Universo em fantasia
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