Crítica: It – Capítulo Dois

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A Hollywood contemporânea tem na repetição uma forma de faturar nas bilheterias. São inúmeras as continuações e, apelando ao estrangeirismo, remakes e reboots nas telas dos cinemas, todos os anos. A relevância desse tipo de produção vive sendo debatida, sem que haja um consenso. Evidentemente, há projetos que trazem atualizações bem-vindas dentro do material refilmado e conseguem inserir novos temas, situações, estilos e personagens às tramas. Por isso, é possível ter bons resultados sempre que a imaginação e a criatividade entram no jogo. Outro fato a ser pensado antes de virar os olhos quando um título de filme vem acompanhado de “O Retorno”, “Recomeço”, ou simplesmente dos numerais 2, 3…, é que o cinema tem mais de cem anos, fazendo qualquer história atual já ter sido contada no passado.

O novo terror “It – Capítulo Dois” pode ser usado como exemplo para tudo o que foi dito no parágrafo anterior. O material original é do livro de Stephen King, que ganhou uma adaptação em formato de série em 1990. Essa série foi posteriormente transformada em telefilme. A produção um tanto pobre da série/telefilme incentivou o reboot de 2017, que fez sucesso, possibilitando a atual continuação do mesmo. Bom, material para isso não falta, já que o livro de King possui mais de mil páginas. A qualidade de produção e de trato com o roteiro ao aproximá-lo satisfatoriamente do universo pensado por King são trunfos da adaptação do “It: A Coisa” desta década. Mesmo o exigente escritor disse ter gostado do filme, o que é uma vitória, já que não o fez com “O Iluminado” de ninguém menos que “Stanley Kubrick” e com outras adaptações de seus livros.

Para começar a deixar as questões de bastidores de lado e passar a falar do filme em si, é preciso dize que, se na história de “It: A Coisa” de 2017 há um grupo de jovens tentando impedir o palhaço assassino Pennywise (Bill Skarsgård), em “It – Capítulo Dois” nada mudou, porém, agora os jovens viraram adultos, com os rostos estelares de Jessica Chastain (Beverly) e James McAvoy (Bill) puxando o elenco. A trupe agora crescida também conta com os atores Bill Hader (Richie), Isaiah Mustafa (Mike), James Ransone (Eddie), Jay Ryan (Ben) e Andy Bean (Stanley). Não é difícil saber qual personagem adulto representa sua versão mais jovem, já que características físicas e de personalidade de cada um, evidentemente, foram mantidas. Além disso, todo o elenco do filme de 2017 volta e participa ativamente da trama, proporcionando aquelas típicas transições do passado para o presente, onde os rostos jovens vão sendo substituídos por suas versões mais velhas.Como os jovens não são apenas peças lançadas pelo roteiro para fazer o espectador lembrar-se da trama, é possível rever com prazer as ótimas atuações de Sophia Lillis (Beverly) e Jaeden Lieberher (Bill). O interessante nesta mescla de elenco são as escolhas de construção de personagem feitas pelos veteranos. Chastain não segue totalmente Lillis e sua Bervely determinada e corajosa. Agora ela é uma mulher com medo constante – principalmente por causa do marido violento – e cheia de dúvidas sobre o passado que volta para aterrorizá-la.  Já McAvoy é competente ao emular o jovem Lieberher em sua gagueira que piora gradativamente assim que chega à cidade natal. Para um ator do porte de McAvoy seria fácil apenas gaguejar, então ele extrapola ao fazer o espectador sentir todo o seu sofrimento em não conseguir proferir as palavras por meio de lágrimas e veias saltando no pescoço tensionado.

Claro que as atuações não seriam bem aproveitadas se a produção do longa não primasse pela excelência. Por isso, em “It – Capítulo Dois” é alto o investimento nos efeitos visuais e na maquiagem. A criação de criaturas em CGI não apresenta qualquer tipo de problema que possa ser destacado. O que se vê, na verdade, é um bom grau de criatividade em cenas bizarras e nojentas. Um exemplo é uma cena em que o grupo de amigos está jantando em um restaurante oriental, e pequenas partes humanas e de outros animais começam a sair dos biscoitos da sorte. Pennywise e suas mordidas animalescas, vovós nuas transformadas em monstros gigantes e zumbis em decomposição completam o terror imaginativo.

Bem produzido, bem atuado e com um roteiro satisfatório, o filme de Andy Muschietti só não ganha maior relevância porque peca em não conseguir preencher toda a história com terror que a plateia espera de um filme com um palhaço monstruoso. Há, inclusive, momentos cômicos fora de lugar, que tiram a tensão da atmosfera diegética. O uso dos inevitáveis e até bem-vindos jump scares é previsível e cansativo, pois é repetido entre um corte e outro indiscriminadamente. Desagregador também é a tentativa de mostrar a origem de Pennywise. Não que ela não seja importante, apenas não é apresentada de forma clara por uma montagem confusa que mais deixa dúvidas do que conclusões. Com isso, “It – Capítulo Dois” consegue ser um bom material de entretenimento, mas não alcança a competência das obras do mestre do terror. Talvez isso não seja possível, afinal de contas.

Vídeo: Divulgação/Warner Bros.

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