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Crítica

Crítica: Liga da Justiça de Zack Snyder

Liga da Justiça de Zack Snyder 5
Imagens e Vídeo: Divulgação/HBO MAX

Imagem: Divulgação/HBO Max

Finalmente Zack Snyder teve sua visão exposta ao mundo. Seu corte de “Liga da Justiça” é completo, potente e épico. Ele supera o filme lançado em 2017 em todos os quesitos, mesmo que alguns torçam o nariz para as mais de quatro horas de duração da obra e para alguns excessos do diretor. Snyder é um autor, portanto, esses excessos fazem parte da construção de suas narrativas, que fogem da cartilha empregada pelos estúdios acostumados com as linhas de produção de filmes interligados em um universo único representado pela fórmula Marvel, que foi inovadora, mas se desgastou após a sucessão de filmes sem alma lançados pelo estúdio nos últimos anos. Os cineastas contratados para essas obras foram apenas operários que deviam seguir o que foi previamente criado pelo estúdio. A Warner Bros., surpreendida com o sucesso de seu concorrente, decidiu fazer o mesmo. O problema é que contratou o homem errado para comandar a empreitada.

Para não se alongar em algo que é de conhecimento de todos, basta dizer que Snyder, em sofrimento pela morte trágica da filha, teve que suportar a “marvelização” de seu “Liga da Justiça” por Joss Whedon, e os fracassos de crítica e de bilheteria sofridos como resultado. O que Whedon parece não ter entendido é que os super-heróis da DC funcionam melhor em temas sérios e sombrios. A palhaçada colorida e cheia de piadinhas de algumas produções da Marvel não cai bem com o Batman, Mulher Maravilha (Petty Jenkins foi por esse caminho em “1984” e amargou o fracasso) e Superman. Do grupo, o único que pode ser um pouco descontraído é o Flash, mas com parcimônia. Ainda bem que os fãs fizeram barulho até que a Warner permitisse o término e o lançamento da concepção de Snyder, que é focada no drama, no sombrio e, principalmente, na família.

O choque inicial do Snyder Cut vem com a razão de aspecto 4:3. Como um filme comercial, de grande orçamento e com cenas de ação épicas pode funcionar em um formato que tira toda a horizontalidade da tela do cinema e das TVs modernas? Talvez tenha sido esse o pensamento de todos os executivos que viram pedaços do filme antes do lançamento em 2017, convencendo-os de que o projeto não poderia ver a luz do dia daquela forma. Afinal, seria um fracasso com o público casual não acostumado com esse formato de tela. Trata-se de Hollywood e não de cinema europeu. De acordo com o diretor, a escolha foi para deixar aqueles super-heróis gigantes nas telas em IMAX, transformando-os em deuses supremos, e para emular as páginas verticais dos quadrinhos. Só essas explicações são suficientes para convencer o espectador inteligente de que o 4:3 é o ideal e aceitável, mas o formato, digamos, quadrado, também serve para aproximar os personagens entre si e ao público, já que os planos próximos e íntimos são privilegiados. Claro que as sequências de batalhas em grande escopo estão lá, no entanto, são as de diálogos as mais importantes e impactantes. Há ainda a granulação da fotografia que, em alguns momentos, deixa os dramas palpáveis e com o pé na realidade.

Todo esse aparato conceitual e técnico seria, contudo, irrelevante, se Snyder não tivesse recuperado os dois personagens mais importantes de seu filme e que foram relegados a meros coadjuvantes de luxo na versão de Whedon: Ciborgue e Flash. Os dois são primordiais para fazer com que os planos arquitetados por Batman deem certo, mas é o Ciborgue que toma para si o protagonismo mesmo quando Superman e Mulher Maravilha estão em cena. Ele é a alma da trama, o que dá ainda mais razão às reclamações e denúncias de Ray Fisher nos últimos anos depois que viu seu personagem ser destruído por motivos aparentemente raciais.  Flash também ganha bastante tempo de tela, o que serve de prelúdio para seu vindouro filme solo. Falar mais sobre os dois seria apelar para spoilers.

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“Liga da Justiça: Snyder Cut” vai além das pretensões primarias de entretenimento. É uma obra feita com carinho e paixão por um diretor que, apesar de não ser brilhante, tenta elevar a cultura pop a um patamar acima do banal tão presente nas produções modernas. Tomara que seja a reabertura de portas para Snyder, e que ele possa continuar sua ambiciosa história de onde foi forçado a parar. Ele terá, com certeza, todo o apoio dos fãs para isso.

Liga da Justiça de Zack Snyder 5
Crítica: Liga da Justiça de Zack Snyder
Sinopse
Depois de restaurar sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman, Bruce Wayne convoca Diana Prince para combater um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes — Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Ciborgue, e Flash — poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque.
Prós
Todos os personagens ganham espaço
Possui um clima mais adulto
História bem construída
Contras
Talvez a duração afaste alguns espectadores
4
Nota
Written By

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

4 Comments

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