Crítica: No Fim Do Túnel

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Chega em terras brasileiras um filme dos ‘hermanos’ argentinos, que mostra que nas terras de lá eles também tem um jeitinho argentino de fazer as coisas e escapar de algumas situações bem complicadas.

Joaquín é um cadeirante que vive de consertar computadores e tem uma pequena oficina em sua casa. Sua única companhia é seu já envelhecido cachorro, que esta com problemas de saúde e não consegue mais ficar em pé. Com problemas de dinheiro, Joaquín tem de alugar o quarto que fica no terraço da casa e acaba aparecendo Bertha, e sua filha de seis anos, interessadas nele. Bastante invasivas, elas acabam tomando conta do lugar.

Paralelamente a essa invasão, Joaquín descobre que seus vizinhos estão planejando assaltar o banco que tem próximo a sua casa, passando por debaixo dela. Ele monta seu próprio plano para se dar bem e no meio do caminho acaba descobrindo que Bertha não é tão confiável assim.

No Fim do Túnel é um suspense clichê de tudo. Tem os bandidos maus, aqueles que você não duvida nenhum pouco sobre o que são capazes de fazer. Tem o vilão meio mocinho, que você torce mesmo sabendo que ele não é nada correto. Tem a trilha sonora que assusta, põe tensão e faz qualquer um torcer para que o Joaquín não morra as 334 vezes que ele quase morre, nem seja pego, nem nada do tipo de coisas que acontecem nesse tipo de filme.Mas, no final das contas, o filme funciona, mesmo assim. Não é tanto sobre o que você sabe, é sobre como você sabe. Aqui não há nada absolutamente fora do normal, exceto o jeitinho argentino que é novo para mim! Mas, o modo como tudo vai encaminhando e como é trabalhado a passagem das informações para o publico, tem um ritmo que deixa todos eletrizados. O roteiro é inteligente o suficiente para saber trabalhar tanto as situações quanto as descobertas para o publico.

É um filme atual, que se passa mais dentro da casa que qualquer outro lugar. A trama também é bem contemporânea e fácil de se linkar. A fotografia e a trilha sonora seguem as propostas dos filmes de suspense: muitas cenas escuras, muitos fundos musicais que fazem seu coração disparar e te deixa tenso.

Leonardo Sbaraglia, como Joaquín, faz um ótimo trabalho como o homem dúbio, meio ranzinza e fechadão, que acaba sendo conquistado por Bertha, interpretada por Clara Lago, e sua filha de seis anos. Clara também faz um bom trabalho com sua personagem, que acaba a mercê de todo mundo e que tem seu ponto fraco na filha de seis anos. Existe, no trabalho de Clara, algo que as vezes não se encaixa, mas como Bertha deixa de ser uma farsa bem rápido, isso deixa de ser um incomodo. Pablo Echarri, como o líder da gangue e cruel Gaslereto, é um bom contraponto para se torcer por Joaquín e sem deixar em nenhum momento o jogo se perder. Seu personagem é mau e conforme vai passando o filme, só fica pior.

Rodrigo Grandefaz um ótimo trabalho tanto como diretor, que trabalha seu enquadramento a favor da própria produção, quanto como roteirista. Seu projeto traz um grande elenco, que funciona bem juntos, e uma ótima finalização, mesmo abraçando o clichê de filmes de suspense.

No Final do Túnel tem estreia brasileira marcada para 6 de outubro.

Crítica: No Fim Do Túnel
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