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CríticaFilmes

Crítica: O Gênio e o Louco

Avatar de Mauro Machado
Mauro Machado
8 de maio de 2019 2 Mins Read

O Gênio e o Louco 1Mel Gibson não é exatamente o indivíduo com melhor fama dentro da indústria cinematográfica. Sempre envolto em pesadas polêmicas, parece até improvável que esteja em destaque no novo “O Gênio e o Louco“. A produção, aliás, não se faz apenas incomum por sua participação, mas também por tudo que a cerca. A narrativa gira em torno da criação do Dicionário de Inglês de Oxford, envolvendo duas figuras singulares em meados do século XIX. Isso, vale mencionar, trazendo elenco de peso com nomes como Sean Penn e Natalie Dormer. A impressão que se tem, sabendo disso, é de curiosidade e também certa sensação de grandiosidade. Afinal, trata-se de um longa metragem sobre a criação do maior dicionário de linga inglesa estrelando relevantes nomes, sobretudo de origem britânica.

Num primeiro momento, o que chama a atenção do espectador é a recriação de época apresentada. Os figurinos e cenários são bastante convincentes e inserem o público dentro do século XIX sem nem precisar passar informações relacionadas de forma expositiva. Apenas com o design de produção e aspectos visuais, as informações relativas ao universo da obra são passadas. Assim, sabemos como se diferenciam os personagens por suas origens e classes sociais, quais suas ocupações e até mesmo um pouco de suas personalidades. Isso passa ainda pela maquiagem, que afere determinada idade aos personagens ou reflete sua vida cotidiana. Nesse sentido, é de se esperar que os figurantes do hospício de onde vem um dos protagonistas possuam fisionomia bem mais castigada que os catedráticos da Universidade de Oxford que também aparecem no filme.O gênio e o louco 8

Apesar disso, não é em todos os aspectos que “O Gênio e o Louco” é eficiente. Os protagonistas são fortes e cativam o espectador na medida em que vão sendo desenvolvidos, e naturalmente que são a maior força da trama, porém infelizmente não alcançam o potencial existente. Que o roteiro é muito humano e verdadeiro ao tratar das relações interpessoais e das trajetórias individuais de cada um, é verdade, o que não elimina as falhas vindas de previsibilidade e semelhança entre os arcos dos dois personagens. Enquanto os contrastes poderiam ser usados com maior sagacidade, acabamos vendo paralelos em demasia, deixando a história apresentada invariavelmente menos interessante. Podendo ousar, os realizadores optam por opções mais seguras e, consequentemente, mais mornas.

Por fim, “O Gênio e o Louco” é filme regular. Pode não alcançar todos os méritos que poderia, mas também não chega a subestimar o público. Consegue ser eficaz em um número razoável de categorias e insuficiente em tantas outras. Talvez seja até coerente que Mel Gibson se encontre em um filme tão neutro depois de tantas problemáticas pelas quais sua carreira e sua vida pessoal passaram. Nada poderia, para o ator e diretor, ser mais razoável que isso.


Fotos e Vídeos: Divulgação/Imagem Filmes

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Tags:

CinemaDrama HistóricoMel GibsonNatalie Dormer

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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