Crítica: After

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Se alguém achou que o  vício da indústria norte americana  em explorar a descoberta sexual de jovens brancos héteros tinha morrido com fracasso da franquia “Divergente”, se enganou. Pois “After” não só é uma tentativa de uma retomada dos mais dolorosos clichês dos “young adult”, como também das mais retrógradas visões sobre protagonistas femininas desde a famigerada franquia 50 Tons.

Baseado em uma fanfic que fora originalmente idealizada com cantores da boy band One Direction, o longa conta a história da tímida Tessa Young (Josephine Langford) e sua jornada de autodescobrimento na faculdade, enquanto se relaciona com o sedutor Jovem Britânico Hardin Scott (Hero Fiennes-Tiffin).

Se em uma primeira impressão o longa parece ser genérico e derivativo, numa segunda ele se confirma como tal. Chega a ser curioso como ao longo de 104 minutos o roteiro consegue espremer até a última gota dos mais dolorosos clichês que permeiam algumas das piores comédias românticas da última década. Essas que vão desde a frases como “Eu passei minha vida inteira não acreditando no amor, até o dia em que eu te conheci”, até situações que hoje em dia já caíram no campo da paródia de gênero, tal qual a típica cena em que um dos protagonistas anda magoado na chuva.

O mais interessante talvez seja transformar a experiência de ver o filme em um drinking game, no qual a cada cena personagem e motivadores de conflito genéricos renda um shot de tequila. E, se esse fosse o caso, os primeiros 30 minutos já seriam o suficiente para fazer o mais desatento espectador está caindo de bêbado.

A protagonista adolescente virginal que adora ler, e vai para faculdade com roupas de “tia católica”, por si só já são quatro doses de tequila. O ex namorado que tem zero grau de importância na trama, mas está lá com o único propósito de servir como contraste para o “gostosão da vez” são mais duas doses. E, claro, o bad boy que usa jaqueta de couro e é supostamente um canalha, mas que na verdade tem um bom coração e revela isso tendo um gosto em comum com nossa personagem principal. Esse, vale não uma dose, mas uma garrafa inteira.

E o jogo pode se estender ainda mais se expectador resolver adicionar as mais descaradas muletas de roteiro que a narrativa apresenta, tomando mais um shot toda vez que o personagem Hardin soltar alguma frase que irrite a Tessa, e cenas  depois de redima com um “Eu sou uma pessoa que muda rápido de idéia”. Ou então as diversas afirmações expositivas sobre a natureza do relacionamento de personagens (como o uso exacerbado da frase “ele é meu melhor amigo”) como se isso poupasse o texto de ter construir essas relações.

O coma alcoólico só seria evitado graças a um considerável esforço da direção de arte que faz um trabalho pontual do azul como símbolo da pureza e repressão da protagonista, vide a luz que está sobre sua mãe durante as discussões.

Ao fim, como já mencionado, “After” funciona muito bem como um drinking game, pena que nem tanto como filme.


Fotos e Vídeo: Divulgação/Diamonds Films Brasil

Crítica: After
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