A retomada de franquias adormecidas entrou no cotidiano de Hollywood. Filmes nostálgicos com públicos certos estão rendendo boas bilheterias e atraindo os estúdios a trazerem de volta ao mercado velhos clássicos. Entretanto, nem sempre essa volta é como se esperava, os fãs sempre ficam apreensivos e uma pergunta permeia a cabeça a cada anúncio de retomadas de franquias clássicas “O que será que vão fazer com a história?”. Mas quase como regra, o que vem acontecendo é uma modernização no tom e no ritmos dessas franquias que voltam à tona, podemos dá como exemplos “Jurassic World “que é um filme muito mais ágil que o original, aposta em um personagem carismático e cheio de piadas na manga, ou “King Kong Ilha da Caveira” que coloca o macaco gigante em papel de herói. Mas, existem sim franquias que se mantêm fieis às suas raízes, como foi o caso de “Blade Runner 2049″ e “Mad Max – Estrada da Fúria“.

Dito isso, estamos em 2018, trinta e um anos após o lançamento do primeiro filme da franquia “Predador”, chega aos cinemas para reviver os filmes da série que fracassaram após o original “O Predador”, uma super produção da Fox Film. Com direção de Shane Black, o longa promete em seu script suspense e ficção científica, mas entrega apenas gargalhadas e um ótimo aspecto visual para os seres alienígenas.

O filme se inicia com uma perseguição entre naves alienígenas e traz à Terra um novo predador, que acaba sendo capturado por humanos. Antes disso, ele tem seu capacete e bracelete roubados por Quinn McKenna (Boyd Holbrook), um atirador de elite que estava em missão no local onde a nave caiu. A bióloga Casey Brackett (Olivia Munn) é, então, chamada para examinar o ser recém-descoberto, mas ele logo consegue escapar do laboratório em que é mantido cativeiro. Ao tentar recapturá-lo, Casey encontra McKenna, que está em um ônibus repleto de ex-militares com problemas. Juntos, eles buscam um meio de sobreviver e, ao mesmo tempo, proteger o pequeno Rory (Jacob Tremblay), filho de McKenna, que está com os artefatos alienígenas pegos pelo pai.

O longa não parte de uma premissa ruim, entretanto, o roteiro distribui tudo de forma sofrível sem o mínimo de nexo entre tempo e espaço. Os personagens não são aprofundados como deveriam, os diálogos são extremamente rasos e as piadas insignificantes estragam o viés científico do filme que poderia ser infinitamente melhor do que foi.

A direção segue a mesma linha com cortes toscos, sem conseguir implementar um determinado suspense que o filme pede e cena após cena o filme decepciona cada vez mais. Se queriam que os seres alienígenas passassem o mínimo de medo para o público, erraram feio. Na sessão que nós da Woo! Magazine estávamos presente, ouviu-se mais sons de riso durante todo o filme do que algum esboço de tensão ou o simples fato de criar-se expectativa com algo.

Apesar de saber-se que a comédia é uma marca registrada de Shane Black mesmo em filmes que este não é o viés, aqui ela literalmente estraga o filme. Piadas bem feitas e com a dosagem correta é algo bom, é um alívio que tira o aspecto massante para quem está assistindo, mas em “O Predador” eles abusam de tamanha maneira que o filme poderia adicionar no gênero comédia.

Um dos poucos e únicos aspectos positivos do filme são os efeitos especiais e visuais dos seres alienígenas que realmente são extremamente bem feitos, assim como a apresentação da sua tecnologia. Coisas que poderiam ter sido muito mais exploradas se o roteiro não tivesse perdido tempo fazendo piadas.

A única atuação que se destaca é a do próprio protagonista vivido por Boyd Holbrook, ele segura o filme nas costas. Os diálogos rasos não deixam uma personagem que seria interessante se desenvolver, a bióloga Casey Brackett vivida por Olivia Munn, ela teria o poderio científico para trazer um arco muito maior de novidades sobre a biologia da espécie, sobre a própria história e trama por trás do filme, mas tudo fica muito abafado em diálogos mal construídos e apressados.

O Predador” deixa uma abertura para uma sequência, e mostra que realmente querem mudar a franquia a levando para outro lugar não explorado nos filmes anteriores. Porque não dizer que querem realmente “marvelizar” a franquia caso se cumpra a deixa da última cena em possíveis sequências. E por fim, esse filme consegue ser, com um visual incrível, infinitamente inferior ao seu original mesmo com trinta anos de experiência, muito dinheiro gasto e exemplos de outros dois fracassados filmes solos do Predador.

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Dan Andrade

Cursando Produção Cultural atualmente, sempre foi apaixonado por cinema e decidiu que de alguma forma trabalharia com isso. Tendo como inspiração Steven Spielberg e suas histórias que marcaram gerações, escreve, assiste, lê e aprende, para um dia produzir coisas tão grandes e que inspirem pessoas como um dia ele o inspirou.

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