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CríticaFilmes

Crítica: O Reino da Beleza

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Convidado Especial
8 de agosto de 2017 3 Mins Read
Uma história que vai de um romance casual à críticas
sobre as classes mais altas

O Reino da Beleza

Projetado como um drama baseado em relações escorregadias, “O Reino da Beleza” chega com um título forte sobre uma história que teria tudo para ser mais profunda e intimista. O drama canadense do diretor Denys Arcand prende-se aos conflitos de uma relação entre o homem bem sucedido e a esposa do lar. Com a possibilidade de agregar uma camada mais profunda ao enredo, a produção foge do clichê, mas não escapa da temática romancista e suas simplicidades.

Formado a partir do conceito visual da arquitetura, as referências para esSa área são constantes em cada plano das paisagens em campo aberto, das construções de concreto que formam a cidade grande e até ao formato que dois corpos juntos produzem. Luc (Éric Bruneau) é um arquiteto renomado em sua área, sendo um homem premiado e constantemente requerido para a formulação de novos projetos de grande porte. Muito ativo, Luc está sempre em movimento, seja trabalhando ou aproveitando para praticar qualquer esporte que quiser. Porém não temos tanto tempo de entendermos qual é a sua relação com o meio que está envolvido. Algumas impressões iniciais podem ser tiradas e ao final do filme podem fazer mais sentido ao refletirmos sobre praticamente todas as suas ações.

A partir do momento em que Mélanie Thierry no papel de Stéphanie, a esposa de Luc, tem uma responsabilidade maior nos acontecimento ao redor de seu marido, mesmo com poucas falas fica nítido que aquele universo materialista que envolve a profissão dele e um relacionamento aparentemente sadio entre os dois, irá sofrer transformações mais cedo ou mais tarde. A gradual alteração na personalidade de Stéphanie é visualmente “lamentável”, no bom sentido que a palavra representa para a atuação dramática de sua personagem. Os efeitos colaterais são constantes e progressivos ao mesmo tempo em que assistimos ao romance extra-conjugal de Luc com uma mulher de Toronto.

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O roteiro encontra algumas pequenas narrativas paralelas que atrapalham a progressão rumo ao seu desfecho. Quando seria mais interessante focar  no triângulo entre Luc, Stéphanie e Lindsay (Melanie Merkosky) e as consequências destas escolhas, aqueles saídas usadas como subterfúgios para encher alguns minutos importantes de tela e usados com a desculpa de uma evolução na personalidade dos personagens principais, mas que muitas vezes não acrescentam relevância para a história final. A maneira como tudo é contado convence em boa parte, e isso sempre é importante em um filme onde boa parte do conteúdo simbólico está nas entrelinhas.

A busca pelo o que é belo frente aos olhos de um arquiteto que entre algumas características tem a precisão e simetria, a fotografia de Nathalie Moliavko-Visotzky é semelhante ao toque de um profissional que mais do que tudo precisa ser um artista. Nenhuma cena é pensada sem que o plano prevaleça cada enquadramento, principalmente aqueles que não possuem diálogos ou interações entre personagens. Nathalie já trabalhou com Denys como operadora de câmera em outras de suas produções e essas experiências certamente fizeram alguma diferença significativa para suas escolhas quanto diretora de fotografia. Em algumas tomadas mais “sinceras”, especificamente nos ataques de ansiedade de Stéphanie ou mesmo quando são feitos plans em slow-motion do casal praticando algum esporte. Uma ótima surpresa visual para quem eventualmente se acostumar com a maneira como a narrativa prossegue.

É verdade que “O Reino da Beleza” foi lançado em 2014, mas apenas em 2017 chegou aos cinemas do Brasil. Como obra geral, a beleza do filme em si é real, funcionando até como uma crítica social referente às classes mais altas da sociedade e sua visão do belo e do propósito sobre aproveitar a vida, mas por outro lado a problematização do que este próprio status pode trazer para determinadas pessoas que não se encaixam em certos grupos.


Por Guilherme Santos

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