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Crítica de TeatroEspetáculos

Crítica: O Santo Dialético

Marya Cecília Ribeiro
25 de novembro de 2016 3 Mins Read

O Santo Dialético foto de Giulia Martins b A já conceituada Cia. Teatro Incêndio está em cartaz em São Paulo com uma peça que expõe de forma visceral alguns pilares da cultura brasileira, que é tão diversificada e miscigenada como como a população do nosso país, o espetáculo O Santo Dialético.

Com um texto que fala sobre religião, crenças populares, rituais, hábitos, capoeira, a influência negra e indígena, a obra mistura-se entre personagens vindos de diversos cantos e, em sua maioria, estão à margem da sociedade.

A busca por suas raízes enquanto se perdem na imensidão da cidade, a violência, a intolerância, a falta de amor, de solidariedade, todo o vazio que pode tornar-se parte de quem não se encontra.

A peça é inteligente e bem pontuada, com ótimas passagens, tudo muito verdadeiro e que costuram com o Teatro, a Dança, a Música e o Canto. As cenas vão se misturando, como se uma puxasse a outra de algum modo, mesmo que não sejam enredos que, a princípio, estejam interligadas. a35874 21dd9cfcda5841b68cc189818c2b5d9f.jpg srz 2245 1497 85 22 0.50 1.20 0.00 jpg srzInicialmente, é exposto que dentre todas as histórias, seis tramas são as que formam parte de um mosaico especial: um índio seminarista, uma moradora de rua, um casal de evangélicos e um casal com problemas sérios. Os quatro primeiros personagens têm seus dramas contados de maneira eficiente, acompanha-se suas trajetórias durante todo o espetáculo. A parte da corda mais fraca fica com o outro casal, que, apesar dos dramas vividos por ambos, não marcam tanto quanto os outros. Uma figura que não é listada como principal, acaba sendo muito mais marcante: uma outra índia que aparece durante alguns atos negando suas raízes.

O elenco é grandioso, cheio de atores jovens com talento e que trazem para o palco um objetivo claro de fazer um bom espetáculo. Todos são muito capazes, trabalham bem o espaço e não deixam a peça escorregar entre seus dedos nem tampouco algo a desejar. Dentre todo o elenco muito competente, uma especial atenção a atriz que faz Alma, a moradora de rua sonhadora e, de até certo modo, inocente, com total entrega e que possui uma voz muito bonita.

A trilha sonora é maravilhosa, com muitas músicas originais e que cabem perfeitamente ao espetáculo. Acompanha também músicos ao vivo e isso só torna a obra ainda mais especial. A cenografia do espetáculo fica por conta de objetos trazidos pelos atores e que vão sumindo, conforme deixam de ser importantes. O figurino faz um equilíbrio entre todos os personagens, tendo uma proposta mais uniforme durante quase toda a peça, e transformando-se conforme os dramas vividos iam evoluindo.

É bom preparar-se para ver a peça: são 150 minutos, dois atos e um intervalo entre eles de 25 minutos, onde oferece-se uma pequena janta. Eles usam de todo o prédio da Cia, o que nos leva a subir e descer alguns lances de escadas. Toda a equipe que está lá é muito cordial e educada, atendendo ao publico durante essas transições com muito respeito.

O texto e a direção ficam a cargo de Marcelo Marcus Fonseca que faz um trabalho delicado e, em sua maioria, bem feito, com boa finalização. Toda equipe de produção trabalha com especial dedicação para fazer deste um espetáculo memorável.

O Santo Dialético está em cartaz em São Paulo. Sábados às 20 horas e Domingos às 19 horas. A temporada segue até o dia 04 de dezembro de 2016.

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Tags:

NacionalPeça de teatro

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Me siga Escrito por

Marya Cecília Ribeiro

Marya Cecília é goiana de nascimento, mora em São Paulo há seis anos e ainda assim não consegue lidar com o clima 4 estações em um dia que rola nessa cidade. Tem umas manias esquisitas, tipo ver um filme que gosta várias vezes, mas esta tentando lidar com isso (ou não). Falando nisso, ela não faz questão nenhuma de ser normal, então podemos apenas seguir em frente!

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