Crítica: Os Meninos Que Enganavam Nazistas

Amor e companheirismo em tempos de guerra

“Os Meninos que Enganavam Nazistas” (“Un Sac De Billes”), novo filme do diretor Canadense Christian Duguay, conta a história dos irmãos judeus Maurice (Batyste Fleurial) e Joseph (Dorian Le Clech) que em 1941 na França, precisam fugir do exército nazista que ocupa todo país, ameaçando as famílias judias. O medo invade as casas e as ruas francesas e o poder de Hitler se mostra absoluto e brutal na França. Para não ser morta, a família judia Joffo é obrigada a se separar e os jovens de 10 e 12 anos de idade precisam chegar sozinhos a zona livre para enfim lá se juntarem a família novamente.

Christian Duguay, que também assina o roteiro, estrutura seu longa no estilo “road movie”. Os protagonistas, para fugirem dos nazistas, se superam em criatividade a cada situação, ora enganando diretamente os oficiais alemães, ora passando desapercebidos por eles. E são justamente essas situações inusitadas que fazem deste filme, cujo tema nos traz em princípio uma memória de um tempo de tristeza e de terror, um filme leve e até engraçado.

Os jovens Maurice e Joseph, apesar do horror da guerra e da dor da separação de sua família, preservam a ingenuidade característica das crianças e suas piadas e brincadeiras dão um tom de leveza em oposição à brutalidade dos acontecimentos. O filme fala muito mais da importância da união familiar que propriamente da segunda guerra mundial, chegando até a romantizar alguns fatos.

O roteiro é baseado no livro de mesmo título lançado em 1973 onde Joseph Joffo (o mais jovem dos irmãos), mais de 30 anos após os acontecimentos, conta a história real de sua família e as aventuras vividas ao lado do seu irmão durante um dos períodos mais turbulentos da história da humanidade. É nesse cenário que a emocionante narrativa de Joseph e Maurice se desenrola. Eles perambulam sozinhos pelas estradas, vivendo experiências surpreendentes, tentando escapar da morte e em busca da zona livre para ganharem a liberdade e, finalmente encontrarem sua família.

Apesar disso, algumas vezes o desenvolvimento dos personagens parece incompleto e o roteiro, fragmentado demais, não nos deixa envolver suficientemente com a saga familiar.

A direção tem seus altos e baixos. A cenas de suspense em relação a ameaça do inimigo nazista consegue criar momentos de tensão, mas também sofre pela característica fragmentada do roteiro e muitas vezes nos desconectamos dos personagens ou das situações vividas por eles. A fotografia do filme é um personagem à parte, com lindas imagens da França e seus campos.

Dorian Le Clech estreia com grande competência no cinema. Esse é o primeiro filme do ator e ele consegue captar a essência e o turbilhão de sentimentos vividos pelo seu personagem. Batyste Fleurial nos convence como um irmão cuidadoso e protetor do caçula, apesar da pequena diferença de idade entre eles. Patrick Bruel e Elsa Zylberstein, vivem os pais judeus e exercem com competência os papéis de pais amorosos e que, apesar de assustados com o horror que estão vivendo, tem o objetivo de reunir sua família mais uma vez.

A ternura, a amizade e o humor comprovam o triunfo da humanidade e da empatia nos momentos mais sombrios, quando o perigo está sempre ali na esquina à espreita. “Os Meninos que Enganavam Nazistas” é um filme simples e delicado que conta uma fantástica e emocionante história de amor e companheirismo e, apesar dos problemas de estrutura no roteiro, nos presenteia com momentos sublimes.


Por Thiago Pach

Crítica: Os Meninos Que Enganavam Nazistas
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