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Crítica: Permanecer Vivo – Um Método

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Convidado Especial
17 de abril de 2017 3 Mins Read

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“To Stay Alive – A Method”, ou melhor, “Permanecer Vivo – Um Método” é um filme documentário que foi dirigido por Erik Lieshout (“Derniers Mots“, “The Room“) em 2016. O eixo central do filme está baseado no livro “Rester Vivant: Méthode” de Michel Houellebecq, que traz um ensaio sobre o sofrimento humano e a poesia, e também na percepção que Iggy Pop, astro do rock, teve ao ler a obra de Houellebecq .

Como a própria obra cinematográfica se apresenta, logo no início ela pode ser definida como “um bom filme sobre o sofrimento”. Iggy Pop, personalidade famosa no cenário da música de rock , depois de ler o livro de Houellebecq sente como se esse tivesse sido escrito para ele e durante o documentário narra algumas passagens, enquanto as sequências cinematográficas apresentam a vida de outras pessoas que também foram afetadas por algum tipo de sofrimento e buscam nas artes a sua redenção.

A direção de Erik Lieshout, em parceria com Arno Hagers (“The Potato Eaters“, “Derniers Mots“), opta por rodar as cenas de depoimentos nos locais onde as pessoas passam a maior parte de seu tempo, ou fazendo aquilo que gostam de fazer quando estão livres para isso. O diretor quis captar a essência de cada comentário feito por cada personagem. Lieshout e Hagers conseguem passar sensações de sofrimento durante o documentário quando trazem detalhes para as sequências, mas esses momentos se tornam raros, quando preferem focar nas histórias e experiencias de Iggy Pop, que aparece quase todo o tempo e faz com que o diretor não consiga abafar a sua grande, forte, enigmática e marcante personalidade.

A direção de fotografia ficou por conta de Reinier van Brummelen (“Que Viva Eisenstein!”, “Ronda Noturna“) que abraça enquadramentos específicos para revelar as emoções usadas pela história. Em primeiríssimo plano essas emoções são evidenciadas, enquanto os planos conjuntos são utilizados para inserir a personagem na sociedade. Já os detalhes foram escolhidos para poetizar ainda mais a obra, principalmente quando é retratado conteúdos artísticos.

A narração do documentário, e a ponte entre uma personagem e outra enquanto contavam suas histórias, ficou por conta do cantor Iggy Pop que em diversos momentos também chega a fazer parte da história das outras personagens. Pois também se coloca como alguém que conhece o sofrimento de perto e abre uma parte de sua vida para o público. Pode-se colocar a presença do astro do rock como o salvador de quase todas as sequências, uma vez que sua notável presença faz com que as cenas ganhem vida, pulsem e suas caras e bocas performáticas para as câmeras conseguem ser maiores que todo o roteiro, toda a direção e edição.

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A trilha sonora, trabalhada pelo ex-“The Stooges”, Iggy Pop, fornece certa leveza ao documentário. Os momentos propícios em que uma música começa, bem como sua suavidade com que está sendo dito em tela, demonstra uma destreza ímpar de Pop ao mesmo tempo que comprova sua conexão quase espiritual com ao projeto. Como não poderia deixar de ser, a voz rouca e destacada de Iggy também rouba a cena quando surge e começa a cantar para o público, tornando os 70 minutos de documentário ainda mais interessante.

O roteiro, que também foi escrito por Lieshout, em parceria com o autor do livro Michel Houellebecq, é o que deixa a obra perdida em determinados momentos. Algumas histórias começam pelo fim e depois encontram seus começos, já outras se perdem pela metade. Sem falar que certas sequências são tão intimamente artísticas que podem ficar “a mercê” do espectador entender ou não a mensagem que foi passada.

Por fim, apesar da confusão de diversos “pontos sem nó”, o documentário sempre consegue permanecer na essência do livro de não trazer para as telas uma proposta de auto-ajuda e sim de levar para o público uma amostra de como a vida é realmente ruim às vezes, mas que enchê-la de artes pode ajudar a vencer o sofrimento. Segundo o autor do livro, Michel Houellebecq, e na produção cinematográfica exclamado por Iggy Pop: “Um poeta morto não escreve. Por isso a importância de permanecer vivo”.

Por Beatriz Bertolli Paulini

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