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CríticaFilmes

Crítica: Planeta dos Macacos: A Guerra

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
3 de agosto de 2017 4 Mins Read

Guerra. Essa é uma palavra muito presente na história da humanidade e, por mais que evoluímos, esses conflitos ainda estão presentes. A nossa espécie busca na destruição a forma de resolução de seus problemas, e assim será até que não sobre pedra sobre pedra. A arte alerta para esse padrão destrutivo que possuímos, como Pablo Picasso fez com Guernica ou Kubrick com “Nascido para Matar”, mas os erros continuam a ser cometidos. As guerras podem ser em escala mundial ou podem fazer parte de um microcosmo, como a guerra travada por negros e mulheres para serem aceitos como iguais, ou mesmo dos homossexuais que são tratados como escória por vários outros grupos que fazem parte do mundo dito civilizado. As diferenças são, talvez, as principais causadoras dos horrores que fazemos uns para os outros. O medo do que é diferente é uma arma poderosa para causar a extinção, e é sobre isso que trata “Planeta dos Macacos: A Guerra”.

Caesar (Andy Serkis) é a síntese dos conflitos vividos por todos os seres pensantes que já pisaram na terra. Apesar de parecer mais evoluído e, claro, por não fazer parte do homo sapiens, Caesar está entre a compaixão, o perdão e o ódio, assim como está o Coronel (Woody Harrelson). Os dois compartilham a busca pela sua sobrevivência e de seus semelhantes e também o medo de um futuro incerto para as espécies. “Planeta dos Macacos: A Guerra” começa com um grupo de macacos sendo perseguidos por soldados em meio a uma floresta, onde estão exilados junto a seu líder Caesar. Mesmo com a vitória, os macacos sofrem inúmeras baixas, fazendo-os pensar em fugir para uma região mais afastada. Daí surge o embate entre o líder dos macacos e o Coronel, seguindo as temáticas da perseguição, escravidão e, claro, da guerra. O Coronel não é retratado como um simples vilão que quer a morte dos macacos por motivos fúteis. Ele possui motivos tão profundos como os de Caesar e Woody Harrelson contribui para a complexidade do personagem, assim como o faz Andy Serkis. Os macacos são ameaçados pelo Coronel e seu exército, e o Coronel por sua vez é ameaçado por um inimigo desconhecido que não conhecemos de início

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Matt Reeves executa uma obra dramática e filosófica, que possui cenas pontuais de ação, bem menos do que sugeriam os trailers, que mostraram muitas explosões e correria. A câmera de Reeves é ágil nas sequências de batalhas e soturna naquelas onde as mortes são retratadas. A fotografia executa algumas homenagens, como a cavalgada na praia ao pôr do sol, remetendo ao Planeta dos Macacos clássico e mesmo alguns planos na mata, que fazem lembrar “Apocalypse Now” ou mesmo “Platoon”. O holocausto também está presente nas prisões ao céu aberto onde os macacos são confinados. Em meio às referências está Caesar, o grande herói grego. Ele possui tragédias em sua família, a sabedoria angariada como líder e a responsabilidade entre escolher para seu povo a barbárie ou a complacência. Caesar nos guia em sua epopeia ao mesmo tempo que lidera os macacos. Como Moisés fez com os israelitas. A jornada é reforçada pela trilha de Michael Giacchino, que nos traz uma mistura de tensão – com batidas intensas e ininterruptas – e heroísmo – rápidas e de teor épico – o que já era esperado se tratando de um super blockbuster.

Como Caesar é o ícone aqui, é justo que o filme jogue todas as suas fichas nele. As representações físicas de conceitos abordados pelo roteiro são claras de várias formas. A variação da postura do personagem é um exemplo: se suas emoções estão mais próximas das dos humanos, o vemos ereto em meio aos seus súditos, parecendo um ditador que faz valer suas vontades supremas, já quando corre em quatro patas, se iguala ao povo e entende as suas agruras. Na verdade vemos Caesar quadrúpede poucas vezes, sendo uma já quase no encerramento e de forma decisiva. A inclusão de novos personagens como o atrapalhado e inocente Macaco Mau (Steve Zahn) e uma garota muda, chamada de nova – como sendo uma evolução dos humanos e macacos – faz um contraponto ao sério líder, o que confere leveza e alivio cômico em alguns momentos.

“Planeta dos Macacos: A Guerra” encerra a franquia trazendo algumas definições, mas deixa muito em aberto para que haja mais histórias no futuro. Provavelmente veremos algum filme pautado na nova espécie evoluída dos humanos e macacos e os conflitos gerados pela divisão em três frentes, o que seria interessante de ver. O certo é que a franquia não irá parar por aqui , já que trata das melhores produções que Hollywood vem entregando nos últimos anos.

 

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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