Crítica: Monsieur & Madame Adelman

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“Monsieur & Madame Adelman” parece ser – pelo próprio cartaz também – apenas um filme sobre amor das férias frias de julho, mas ele se aprofunda muito além da capa de marketing.

Sim, o eixo que faz a história gravitar ao seu redor é a relação amorosa. Pois, por mais de quarenta e cinco anos o casal esteve de certa forma em relação um com o outro. No entanto, o cartaz – e até mesmo as sinopses por aí – escondem um tema muito interessante e outro não tão incomum. Respectivamente, a literatura e a mulher que vive na sombra do homem.

A história não só narra a vida de Sarah Adelman (Doria Tillier) e Victor de Richemont (Nicolas Bedos) em uma longa história de amor, mas também de segredos e cumplicidade na jornada literária de Victor, o escritor.

Curiosamente, ambos os atores protagonistas também são os roteiristas do filme e Nicolas Bedos é o diretor. Lançado em 20 de Julho no Brasil, o filme belga e francês anda tendo uma considerável distribuição para o gênero e também para sua nacionalidade. Nicolas Bedos, aliás, tem uma produção considerável em várias áreas. Já foi ator em nove longas, roteirista em oito, mas como diretor este é seu primeiro trabalho. Quanto à Doria Tillier, sua produção é focada mais em séries, mas já participou de quatro filmes e “Monsieur & Madame Adelman” é sua estreia como escritora.

O filme em nada decepciona seu público – talvez apenas por momentos um pouco melodramáticos. Uma vez escrito a quatro mãos por atores que mostram a divisão da importância de cada um. Dando uma profundidade extremamente equilibrada, além de dar outro significado à expressão “na sombra de seu marido”. É claro a preocupação de ambos em não criar uma protagonista que fosse – apesar da contradição – secundária, assim como o deu criar um artista, ou melhor, escritor que não fosse o clichê do artista mal compreendido, ou ainda, de fazer uma sátira com tal figura.

“Monsieur & Madame Adelman” é um filme de muitos humores. No início, te engana com uma história de amor, mas é apenas o estopim para uma comédia muito refinada e interessante, assim como um suspense cheio de mistério, além de ser uma bela discussão sobre a literatura também – ainda que não tão bem quanto o argentino “O Cidadão Ilustre”. Suas mudanças são muito suaves e toda a construção de ambientes é muito bem feita, não se notando, aparentemente, por quantos gêneros a própria história percorre.

Um dos pontos fortes do filme é a cenografia e figurino. A paleta sem contraste de suas cores é muito interessante e nas cenas onde há mais luzes quentes ou mesmo branca-quentes há um tom de pertencimento e sincronia cromática inegáveis. De uma mesma maneira, a maquiagem de ambos os atores sobressai-se pelos seus detalhes e nível de realidade. No entanto, peca por vezes em sua sonoplastia que não só puxa o clima, mas também exagera em sua força, principalmente quando no fim – não é spoiler – a atriz toca piano sem explicação apenas para dar mais força e construir mais expectativa em relação aos pontos finais da história.

De qualquer forma, “Monsieur & Madame Adelman” são duas horas de filme que passam rapidamente e com bom humor. O final não decepciona, ou melhor pondo, ele até eleva o filme além das expectativas de quase todos – senão todos – presentes na sala de cinema. O filme mostra que essa parceria de sucesso tem tudo para continuar nos próximos anos como ator-atriz, escritor-escritora e quem sabe o mesmo com a direção. É cedo ainda para se falar em algum prêmio, mas não seria surpresa que nos próximos meses saia algo para “Monsieur & Madame Adelman”.

Por Paulo Abe

Crítica: Monsieur & Madame Adelman
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