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CríticaFilmes

Crítica: Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
14 de dezembro de 2017 3 Mins Read

25074841 1776292142665192 1251009698812737199 oComo um dos personagens feministas mais emblemáticos da cultura pop foi criado? A verdadeira história é mais estranha do que a ficção, mas capturada de forma convincente, compassiva e amorosa em “Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas”. A história de William Moulton Marston relata como o relacionamento de sua esposa com outra mulher abriu o caminho para a criação da “Mulher Maravilha”, mas, o mais importante, é que o filme fala sobre amor, aceitação e feminismo. Ancorada por um grande desempenho de Rebecca Hall, a produção, é convincente em suas aspirações de biografia.

Escrito e dirigido por Angela Robinson, o filme começa em 1928, quando nos apresentamos ao professor William Moulton Marston (Luke Evans), que ensina psicologia ao lado de sua esposa Elizabeth Marston (Hall), uma mulher brilhante que continua tendo seu doutorado negado, apenas pelo fato de não ser um homem. Os Marstons são intelectuais que se interessam particularmente por uma aluna chamada Olive Byrne (Bella Heathcote), que se torna assistente de ensino do professor Marston. A beleza de Olive é incomparável. Em uma cena de destaque no início do filme, Marstons vê Olive de longe enquanto Elizabeth avalia psicologicamente como a beleza da garota é um trunfo e também um fardo. É uma cena brilhantemente escrita, dirigida e atuada que serve para sublinhar a dinâmica presente através da narrativa.

Olive ajuda os Marstons em suas experiências e é pessoalmente responsável por um avanço na invenção do detector de mentiras, que eles testam uns nos outros de forma dramática para descobrir os seus verdadeiros sentimentos. Depois de algumas hesitações, lágrimas e um pouco de luta, o trio consuma seu relacionamento – é bastante claro que todos os três estão apaixonados, e vemos como eles tentam construir uma vida juntos (que inclui crianças) em um mundo que não aceita seu relacionamento.

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O que realmente se destaca no filme é o quão diferente ele poderia ser caso fosse feito por um diretor masculino. A perspectiva de um triangulo amoroso facilmente poderia ser usado como fetiche, especialmente nas cenas de sexo, mas Robinson está intensamente focada em garantir que cada quadro reforce o amor genuíno que estas pessoas compartilham entre si. As cenas de amor são francamente sexys, mas não há um olhar masculino aqui – o foco é sempre sobre o prazer das mulheres, não deles, o que quase não é visto na cinematografia hollywoodiana atualmente.

Quanto aos desempenhos doa atores, Luke Evans faz um trabalho de competente trazendo Marston à vida de forma colorida, mas o filme realmente está muito mais interessado em Elizabeth e Olive – e as atrizes se entregam completamente. Hall em particular é o destaque, já sendo claro desde as cenas de abertura que ela será dominante por meio de sua interpretação convincente e bela. Ela navega em um território emocional complicado, pois deve pesar o custo que a vida que escolhe tem sobre a família e seus filhos, ao mesmo tempo em que encontra aceitação ao atuar sobre os sentimentos que havia escondido.

Quando a história finalmente chega à criação da Mulher Maravilha, o longa passa a ser um pouco mais apressado e a linha do tempo fica confusa, mas é fascinante ver como a influência dessas duas mulheres fortes, confiantes e diferentes literalmente deu à luz um ícone feminista. Marston não faz esforço para esconder o fato de que ele deseja escrever suas ideias feministas para os seus leitores de forma subconsciente, e isso esta explicito nas imagens e nos argumentos que permeiam os primeiros quadrinhos da amazona. Além disso, a rica exploração do filme sobre os ideais de William, Elizabeth e Olive, também é de grande importância.

 

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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