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CríticaFilmes

Crítica (2): Redemoinho

Avatar de Erika Kohler
Erika Kohler
9 de fevereiro de 2017 3 Mins Read

image002Baseado no livro “O Mundo Inimigo – Inferno Provisório Vol. II”, do escritor Luiz Ruffato, o filme Redemoinho se passa na cidade mineira de Cataguases, onde dois amigos de infância se encontram na véspera de Natal. Após longos anos afastados, Gildo (Júlio Andrade) e Luzimar (Irandhir Santos) passam boa parte do tempo colocando a prosa em dia e relembrando muitas histórias do passado. A conversa que começa amigável, depois de ser regada a muito álcool, passa a ficar bem tensa, principalmente quando trazem à tona uma tragédia que une os dois no passado.

Luzimar nunca saiu de Cataguases. Hoje é encarregado de uma fábrica de tecelagem, casou e vive a calma e pacata essência de uma cidadezinha do interior. Gildo, mudou-se para São Paulo há muitos anos. Por lá ele casou, teve filhos, enriqueceu em um bom emprego com salário e agora está de volta à cidade para passar o natal com sua mãe. É aí que encontra com o amigo e aos poucos vai revelando como é sua vida na capital paulista. Ao redor deles estão a esposa de Luzimar, vivida por Dira Paes; a irmã dele Hélia, representada por Cyria Coentro e ainda a mãe de Gildo, que é lindamente interpretada por Cassia Kiss. No decorrer da trama, passado, presente e futuro de todos eles entram em conflito.

O longa marca a estreia do diretor José Luiz Villamarim nas telonas, que apesar do prestígio que conquistou em grandes produções na TV, nunca tinha dirigido um filme. Ele aproveita a linguagem de cinema e usa sua lente para criar belos enquadramentos, o que trouxe mais leveza para a produção. Villamarim abusa da liberdade criativa que o cinema pode proporcionar e usa simbologias para narrar a trama. O trem que corta a cidade; bicicletas como veículo principal; a ponte que serve de cenário para vários momentos vividos pelos personagens. Tudo faz sentido para retratar o movimento de uma cidade do interior. Mas, justamente por ter usado simbologias demais, por ter muitas cenas mostrando esse clima interiorano – algumas sem falas, apenas com os sons característicos da cidade ou até momentos de profundo silêncio -, o filme acabou perdendo o ritmo e tornando-se muito lento.Redemoinho Rolo02 13O roteiro de George Moura consegue desenhar aos poucos a personalidade de cada personagem. Isso segura a atenção do público por um tempo, mas não a todo momento. O passado que envolve os dois protagonistas até consegue despertar uma certa curiosidade, mas quando vai chegando o momento da história ser desvendada, o texto não consegue dar o impacto que foi criado durante todo o tempo.

Um outro porém do roteiro, é o retrato da figura feminina dentro do enredo. Em tempos de empoderamento da mulherada, em busca de conquistas de igualdade de gênero, com certeza muitas vão se incomodar com a forma como os homens tratam  as mulheres em toda a narrativa.

O ponto alto do longa é sem dúvida a fotografia de Walter Carvalho (“Central do Brasil”). Simplesmente incrível! Aproveitando todas as possibilidades naturais da cidade, ele promove cenas memoráveis e lindíssimas. Com muito primor, consegue ângulos impressionantes de Cataguases. Isso sem contar as lindas cenas que acontecem na chuva, com iluminação perfeita e muita sensibilidade. A verdadeira poesia em forma de imagem.

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Cinema NacionalFilme Brasileiro

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Erika Kohler

Jornalista (com diploma), escritora metida a cronista e decoradora. Não necessariamente nessa ordem. É uma artista múltipla! Tem a arte no DNA e por isso é amante do mundo das artes. De todas as formas: Cênicas, Visuais e Plásticas. Carioca, já foi rata de praia, mas hoje prefere o inverno. É gateira de carteirinha e apaixonada por pinguins. Os livros fazem parte da sua vida e estão sempre por perto. Talvez tenha nascido no século errado porque ama o Vintage e o retrô. Adora assistir filmes e séries, sempre acompanhada por um baldão de pipoca. Torce para encontrar com o gato da Alice, pra ele indicar a estrada dos tijolinhos amarelos, que vai direto para a Fantástica Fábrica de Chocolate!!

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