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CríticaFilmes

Crítica: Sol da Meia-noite

Avatar de Mauro Machado
Mauro Machado
15 de junho de 2018 3 Mins Read

Sol da Meia Noite 5Filmes de romance seguem, normalmente, uma cartilha bastante rígida do gênero. Isso se dá ainda mais forte quando se trata de uma comédia romântica ou algum sub-gênero dentro da história de amor que acompanhamos. “Sol da Meia-Noite” é mais um dentro desse universo, é claro, e pretende adicionar um insólito elemento para o que apresenta. O que seria de uma protagonista que não pudesse, por motivos de saúde, ver a luz do sol? Somente sair durante a noite e, por conta disso, viver uma vida drasticamente diferente dos demais. Como uma adolescente que é, torna-se ainda uma questão mais problemática.

Apesar de alguma originalidade na premissa, “Sol da Meia-Noite” só consegue ser um terrível filme em quase todos os aspectos. Não chegaria nem a ser uma inofensiva comédia-romântica, pois faltaria sustância para que pudesse ao menos ser um filme medíocre. Seu roteiro é apelativo e quer arrancar lágrimas do espectador a todo custo, e faz isso com uma previsibilidade e um tom brega sem precedentes. Na curta duração do longa, sabemos exatamente por onde ele vai a todo o tempo, sem surpresas. Ainda se fazem presentes as conveniências de roteiro e atitudes estúpidas de alguns personagens. Alguns elementos como a mãe da protagonista são ainda colocados de qualquer jeito na intenção de emocionar a audiência, mas que nem se quer são trabalhados direito.

Se tratando em tentativa de emocionar, aliás, a trilha sonora original é genérica, repetitiva e didática. Em cenas tristes, a música é triste, e em cenas alegres, a música tenta elevar os ânimos. Pior que isso é ela reciclar temas e, ao invés de gerar identidade sonora a obra, fazer parecer que ouvimos a mesma faixa durante toda a projeção. Não apenas soa repetitivo como cansa e contribui para que o tom melodramático seja exacerbado. Além do mais, é uma trilha que toca constantemente, são raros os momentos de silêncio em “O Sol da Meia-Noite”.

Sol da Meia Noite 6

O elenco, ademais, não ajuda em nada. São interpretações caricaturais e que derivam de personagens raros, mal explorados. Temos o esteriótipo do pai protetor, da melhor amiga, do garoto popular da escola e arquétipos similares de filmes americanos. Não há como nos envolvermos com eles ou mesmo acharmos que poderiam ser pessoas de verdade. Os diálogos existentes são artificiais e não entregam qualquer sinceridade, verdade que os realizadores poderiam trazer. Um comparativo da obra com outros outros produtos teens cairia bem para analisá-la, uma vez que ela possui caráter genérico. Ainda assim, deve ser avaliado na medida em que seu estilo pede.

Portanto, “O Sol da Meia-Noite” nada mais é que uma espécie de “Malhação” americana. Parece um filme originalmente pensado para a televisão, ou para formato de série teen da Netflix. É assistindo filmes como esse que damos mais valor para peças singulares como “500 Dias com Ela” ou a “Trilogia do Antes” de Richard Linklater. Em contraponto, são filmes muito originais, mas que usam também de clichês bem aplicados. “O Sol da Meia-Noite” não precisava ser revolucionário, porém poderia ter feito o básico, que infelizmente passa longe por aqui.

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Tags:

romance adolescente

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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